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O Circo dos Imortais por Elton da Fontoura
O Circo dos Imortais por Elton da Fontoura

O CIRCO DOS IMORTAIS

 

“Art. 2º - Só podem ser membros efetivos da Academia os brasileiros que tenham, em qualquer dos gêneros de literatura, publicado obras de reconhecido mérito ou, fora desses gêneros, livro de valor literário”.

“As mesmas condições, menos a de nacionalidade, exigem-se para os membros correspondentes”.

 

Obs.: A frase escrita em latim no centro do logotipo da Academia, para quem desconhece é: Ad Immortalitatem (uma palavra só) significa: Em busca da imortalidade.

O artigo dois do estatuto da Academia Brasileira de Letras, o reduto sagrado dos imortais Escritores, é absoluto e claro! Porém, vivemos no país da impunidade, onde nada se cria e tudo se copia, quando obter vantagens, é o principal objetivo.

Até que o rótulo deste Farrapo Escritor teria um tom de elegância se eu fosse no mínimo fotogênico. Mas foi uma brincadeira no mínimo audaciosa, maldosa, produzida por mim em razão de um convite que recebi. De repente, não mais que de repente, tornei-me curioso e imaginativo; como seria vestir o manto sagrado dos acadêmicos? Pensando bem... ridículo é um termo paliativo!

Considero-me Escritor, embora a literatura ainda não me considere, mas nem por isso tenho o direito de sonhar com este apogeu. É muita areia para minha caminhonete!

Porém, surpreso, recebi hoje pela manhã um E-mail da ALG, Academia de Letras de Goiás. Após indicação, meu nome foi aprovado por unanimidade para ser um dos eleitos a me tornar membro Acadêmico Correspondente, logicamente após depositar a chancela e custear todo o deslocamento do litoral norte do Rio Grande do Sul até Goiás Velho. Não nos esqueçamos da estadia, e do retorno. Uma amiga me perguntou: o que Goiás quer com um Escritor Farrapo?  

Agradeço a nomeação e confesso que seria um final de semana inesquecível.

 Não está em discussão o número de Academias de Letras que se espalham pelo país. Elas proliferam vertiginosamente! Em minha humilde opinião, deveria existir somente uma, onde celebridades literárias ocupariam cadeiras em decorrência de sua cultura e por suas batalhas em favor da literatura brasileira.

Eu sou apenas um aspirante, minha cultura é irrisória e não fiz absolutamente nada, a não ser escrever um livro que ninguém lê, além de textos que o vento levou.

Também não está em discussão os valores cobrados por estas pseudo-academias. Estes seriam talvez, valores cobrados por uma viagem turística Há custos da pelerine, medalha, certificado e logística.

O que discuto é que assim como convidaram Elton da Fontoura, outros Zé das Couves devem ter recebido o mesmo convite, eleitos por unanimidade, sem nada representarem para o mundo literário, ou serem meros aspirantes iguais a mim.

Não vou me alongar por não possuir argumentos concretos. Gostaria de conhecer as diferenças e semelhanças entre a Academia Brasileira de Letras e estes “Clubes Literários.” Qual a representatividade que ostentam? Qual a importância para a literatura de nosso país e quais as desvantagens que a divergência de rotinas acarreta. O ambiente interno é igual, semelhante ou cada qual exerce e segue uma filosofia?

A lista virtuosa do mundo literário é ínfima diante dos problemas que se acumulam.

Editoras, Tradutores e Leitores são protagonistas da lenta valorização do Escritor brasileiro, além de vilões que agem fora do eixo principal.

Soube inclusive que alguns “Zé das Couves” já ocupam algumas cadeiras. É no mínimo constrangedor!