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O Antídoto ao Fakebook
O Antídoto ao Fakebook

O ANTÍDOTO AO FAKEBOOK                

 

Em 1938, A GUERRA DOS MUNDOS, um programa de radioteatro comandado por Orson Welles, irradiou uma fantástica invasão dos EUA por marcianos, desencadeando uma onda de pânico na Costa Leste.  Pois agora a roda da desinformação está girando no mesmo eixo da Guerra do Mundo: são tantas as notícias falsas que se espalham pelas redes sociais, em particular o popularíssimo Facebook, que em determinados momentos seria apropriado rebatizá-lo de Fakebook (Livro de Falsidades, em uma tradução livre).

 

A diferença em relação ao involuntário caos de 1938 é que a intenção das fábricas de notícias falsas é exatamente gerar confusão e torturar fatos para favorecer causas e ideologias, criar indignação e, como consequência, obter vantagens políticas ou econômicas a partir da desinformação.  Voltamos no tempo, só que em escala digital, em ritmo instantâneo e concepção industrial para produzir o máximo de dano a adversários.

 

Para atingir seus objetivos, a tática da desinformação se vale da força dos compartilhamentos: uma notícia repartida por um parente ou amigo de confiança vem naturalmente embalada pela credibilidade de quem a distribui, reforçando a suposta veracidade de uma narrativa, mesmo que inteiramente fantasiosa.

 

A realidade, porém, é bem distinta.  Em abril/2016, o Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas de Acesso à Informação, da USP, investigou milhares de notícias que transitaram pelo Facebook.  O resultado: três das cinco informações eram simplesmente estapafúrdias, criadas apenas para enganar o freguês online – os chamados “virais falsos”.  O Facebook bem que pensou em contê-los ao contratar editores, mas, diante da enormidade da tarefa, desistiu e voltou a deixar seus algoritmos, e com eles o barco das sandices, correrem soltos.

 

É em razão do maremoto de falsidade, cuja graduação, vai de distorções parciais a absurdos completos, que está havendo um renascimento do jornalismo profissional, entendido como aquele exercido de forma independente, distante do ativismo de diferentes espectros que mutila a realidade sem remorsos.  O jornalismo que se organiza em redações profissionais e é regido por códigos de ética e conduta não é perfeito.  Mas só o fato de reconhecer sua imperfeição e corrigir-se sistematicamente mostra que uma comunicação séria e de qualidade é a derradeira boia de salvação no oceano de embustes no qual naufraga a realidade como ela de fato é.

 

 

 

Fonte:  Zero Hora/Marcelo Rech/Jornalista do Grupo RBS (marcelo.rech@gruporbs.com.br) em 18/09/2016