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Narração
Narração

 

NARRAÇÃO

 

ELEMENTOS DA NARRATIVA

A narração é um modo de organização de texto cujo conteúdo está vinculado, em geral, às ações ou aos acontecimentos contados por um narrador.  Para construir esse tipo de texto, é preciso explorar os elementos da narrativa.

 

ENREDO

Narrativas de caráter histórico, científico ou jornalístico abordam fatos do mundo real, como uma biografia, enquanto algumas produções literárias de ficção apresentam um universo criado pelo autor, como histórias de ficção científica.

O enredo pode ser organizado de diversas formas.  Observe, a seguir, a organização mais comum:

Situação inicial – personagens e espaço são apresentados

Quebra da situação inicial – um acontecimento modifica a situação apresentada.

Estabelecimento de um conflito – surge uma situação a ser resolvida, que quebra a estabilidade de personagens e acontecimentos.

Desenvolvimento – busca da solução do conflito.

Clímax – ponto de maior tensão na narrativa.

Epílogo – solução do conflito. Note-se: essa solução não significa um final feliz.

Essa sequência de etapas pode se repetir várias vezes na mesma narrativa. A conclusão permite estabelecer uma nova situação inicial e o recomeço do ciclo.

Enredo é o conjunto de fatos ligados entre si que fundamentam a ação de um texto narrativo.

 

PERSONAGENS

Numa narrativa, pode haver personagens protagonistas, que ocupam o primeiro lugar num acontecimento, e personagens secundárias.

Ao criar personagens devem-se desenvolver características físicas e psicológicas para elas.  É preciso mostrar ao leitor como se parecem ou vestem, andam, falam, pensam, sentem. Alguns gêneros permitem descrições mais trabalhadas. Quando isso não é possível, descrever o espaço e uma característica da personagem já dá uma boa ideia de como ela é. Quando não há descrição física de uma personagem, o relato do local em que vivem e da vida que levam nos permite imaginar com o são.

Ao produzir uma narrativa você pode escolher quanto vai informar a respeito das personagens. Mesmo assim, precisa conhece-las muito bem e imaginar como elas são e de que são capazes, para poder indicar ao leitor o essencial.

Personagem é um ser criado para um texto narrativo. Pode simular as características de uma pessoa; pode ser um animal, sentimento ou objeto personificado.

 

ESPAÇO

A construção do espaço contribui para elaborar as personagens. Se o autor descreve uma personagem que mora na cidade, em um apartamento grande e todo organizado, o leitor imagina certas características para essa personagem, diferentes das que suporia para alguém que sempre viveu num deserto, por exemplo.

Às vezes não é necessário descrever em detalhes o ambiente. Em muitas crônicas, aparecem apenas “em um bar”, “num jardim”, “entrou na casa” e essa informação basta para conhecer o espaço e parte do contexto.

Espaço é o lugar em que a narrativa ocorre.

 

TEMPO

No tempo cronológico os fatos são apresentados de acordo com a ordem dos acontecimentos. Veja este exemplo:

Amâncio                                                                                                                    “Era um domingo; o ócio dos felizes desocupados tinha ganhado o campo e os arrabaldes. Encontrei por isso poucos conhecidos e fria palestra. Queria fazer horas para ir ver Lúcia. Com os hábitos de voluptuosa indolência, que tomam as mulheres a quem faltam os cuidados domésticos, não era natural que tão cedo fosse visível. Para ocupar-me dela, entrei em casa do Valais, o joalheiro do bom-tom.”

                        Alencar, José de. Lucíola. Porto Alegre L&PM, 1999.

O tempo psicológico é a maneira pela qual a passagem do tempo é vivenciada. Veja o exemplo a seguir:

Cláudia e o tempo paralisado                                                                             “(...)                                                                                                                                   Levantou-se, foi ao banheiro, viu o dia pelo vitro, o sol invernal, límpido. Abriu o chuveiro bem quente, deixou o vapor invadir os dois cômodos. Quando também o quarto estava todo tomado por uma neblina, ele abriu uma fresta da veneziana. Percebeu o tempo interior diferente do exterior, e não era o mesmo dos relógios que, entre si, divergiam. É isso, tudo relativo. Não importa quando, apenas o quê. Aconteceu. Houve um telefonema, não foi em sonho. Nem importa se foi dado ontem, uma semana atrás, ou depois do passeio à serra, portanto há quarenta e cinco dias. Fiquei obcecado, descontrolado, tudo parou. Não estava muito certo do que pensava, porém havia uma lógica, um caminho a ser refletido. Cláudia não estava perdida. Sim, no tempo real talvez nunca mais a encontrasse. Só que Marcelo estava seguro que era capaz – e assim o homem faz – de construir um tempo especial, envolvente, em que ela permanecerá. Este tempo se chama lembrança, e é intocável. Inacessível aos outros, pertence a nós, manejado a nossa maneira. Daqui para a frente, Marcelo terá Cláudia conservada dentro de uma redoma. Infinita e eterna. Ela terá o tempo de duração que ele quiser, senhor absoluto dos instantes, das imagens. (...)"

Ignácio de Loyola Brandão. “Cláudia e o tempo paralisado”.                      In MESERANI, Samir. Quem conta um conto.                                                 São Paulo: Atual, 1989.

A personagem reflete sobre como registrou a passagem do tempo desde o dia em que recebeu o telefonema de Cláudia. Pensa na possibilidade de encontra-la em um tempo não-real, ou seja, de estar com ela por meio de suas lembranças e imaginação. O tempo nesse caso não é cronológico, pois é medido pelas emoções da personagem e não pelo relógio.

Tempo em uma narrativa pode ser definido como a duração da ação. Pode ser cronológico ou psicológico.

 

FOCO NARRATIVO

A narração pode ser feita em 1ª pessoa (eu, nós) ou 3ª (ele, ela, eles, elas), de acordo com a ótica do narrador, isto é, de sua posição diante dos fatos.

O texto “Amâncio” é uma narração em 1ª pessoa. É o próprio Amâncio, narrador-personagem, que relata fatos de sua vida, falando de seus desejos.

Na narração em 3ª pessoa, o narrador não participa dos acontecimentos, mas observa tudo de fora da trama, como narrador onisciente, ou seja, que conhece todos os fatos.

 

NARRAÇÃO OBJETIVA E NARRAÇÃO SUBJETIVA

Na narração objetiva, o narrador não se envolve emocionalmente com as personagens, constando de forma impessoal e direta os fatos. Você pode ver isso em textos jornalísticos, em que os redatores procuram ser objetivos na divulgação de noticias. Observe:

Morto a pontapés                                                                                                “Sem muito o que fazer numa noite de segunda-feira em cidade pequena, os amigos Roberto Carlos Moraski e Almiro Borges Souza, ambos de 19 anos, juntaram-se a um garoto de 14 em Miraguaí, a 470 quilômetros de Porto Alegre, e decidiram fazer uma brincadeira com um homem que dormia numa calçada. A ideia era chutar o mendigo até que ele acordasse e se levantasse. Chutaram. Ele não se levantou. Parecia bêbado. Chutaram ainda mais e jogaram uma pedra. O homem nem assim se levantou. Só soltou uns gemidos. Os rapazes enjoaram da diversão, andaram algumas quadras, dispersaram-se, foram dormir. No dia seguinte, souberam que o índio caingangue Leopoldo Crespo, de 77 anos, o homem que tinham espancado, morrera de traumatismo craniano – numa repetição, em outro cenário e com outras armas, do caso ocorrido em Brasília há quase seis anos. (...)”

            Vieira, Karine Moura. In Veja. São Paulo: Abril, 15 jan.2003.

Na narração subjetiva, o texto é escrito em 1ª pessoa, e o narrador participa dos acontecimentos como personagem (narrador-personagem). Há envolvimento emocional do narrador, ou seja, ele conta os fatos de forma pessoal e subjetiva, mostrando-se sensível ao que acontece. Veja:

O desaparecido                                                                                                     “Tarde fria, e então eu me sinto um daqueles velhos poetas de antigamente que sentiam frio na alma quando a tarde estava fria, e então eu sinto uma saudade muito grande, uma saudade de noivo, e penso em ti devagar, bem devagar, com um bem-querer tão certo e limpo, tão fundo e bom que parece que estou te embalando dentro de mim.”

Braga, Rubem. 200 crônicas escolhidas.                                                  Rio de Janeiro: Record, 1988.

 

FÁBULA

A diferença entre os textos narrativos de distintos gêneros está na maneira como os elementos são trabalhados. Na fábula, o espaço é sempre simplificado, não há variações de ambiente; as personagens, quase sempre animais personificados; o foco narrativo é em 3ª pessoa.

O tempo é cronológico, e o enredo apresenta um único conflito. E mais: a fábula pode conter humor, mas sempre é narrada para divulgar um conceito moral. Por isso, deve ser curta e conter poucos elementos para ser mais fácil de memorizar.

Fábula é um gênero textual que transmite um ensinamento e cujas personagens, em geral, são animais personificados. A linguagem pode ser formal ou informal.

 

CONTO

Como nos outros textos narrativos, o conto também apresenta enredo, espaço, tempo, personagens. O que o destaca é apresentar um só conflito, com o a fábula, mas conter personagens mais complexas. O espaço, no conto, em geral é limitado a um ou poucos ambientes. O tempo pode ser cronológico, e o narrador pode ou não ser personagem.

Conto é um gênero textual que apresenta um único conflito, tomado já próximo de seu desfecho. Encerra uma história com poucas personagens, e também tempo e espaço reduzidos. A linguagem pode ser formal ou informal.