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Morfologia - O que é palavra?
Morfologia - O que é palavra?

Quantas formas existem de dizer alguma coisa a alguém?

De quantas palavras precisamos para nos comunicar?

Como viveríamos nos dias de hoje se as palavras não existissem?

Afinal, o que é palavra?

A existência de palavras é assumida como realidade pela maioria das pessoas. No entanto, embora sejam fáceis de reconhecer, não é tão simples definir o que é uma palavra. Na Linguística, como em outra ciência qualquer, precisamos identificar critérios para definirmos as unidades básicas de estudo.

Veja a seguir!

Os critérios abordados como possíveis para o trato sobre PALAVRA são:

Critério de significado (semântico):

Este critério não deve ser observado isoladamente, como afirma Mattoso Câmara, pois o sentido depende da forma, ou seja, a palavra é um somatório de forma e sentido, em que a palavra xadrez assume dois sentidos – uma para cada personagem –, independente dos componentes que a formam. Além disso, muitos processos de formação não mudam a classe das palavras, três exemplos, um substantivo, mesmo no grau diminutivo.

 

Ó coisinha tão bonitinha do pai...”, em que coisinha significa pessoa.

Ele briga por qualquer coisinha..., em que coisinha significa motivo.

Não tive tempo de almoçar. Fui à lanchonete e comi uma coisinha! Em que coisinha significa comida.

Critério de som (fonológico):

É praticamente impossível elaborar um conceito de palavra sob este critério, pois a forma de falar do brasileiro influencia bastante na distinção dos sons formadores de cada enunciado, como mostra o exemplo abaixo que explora a ambiguidade: 

O que é detergente?

É o ato de prender pessoas.

Deter gente X Detergente

Critério da funcionalidade (sintático): parece funcionar em qualquer língua do mundo, pois as palavras recebem nomenclaturas que as diferenciam dentro dos enunciados. Porém, este é um critério que abrange somente uma definição: a de ordem da organização e funcionamento da língua, desconsiderando-se os seus elementos formadores como, no exemplo a seguir, na palavra votais, que é classificada como um verbo e que é assim reconhecida, independente neste critério, da maneira como a palavra aqui é formada:

Oração

Pai nosso que votais no céu.

Critério formal (mórfico)

É o critério que se baseia na caracterização da estrutura do vocábulo, aqui se verificando a aceitação ou não da combinação das formas, conforme mostrado abaixo nas palavras sublinhadas:

Dez doleiros giraram U$ 2,4 bi em 42 contas nos EUA.

EUA: sigla que remete ao Estados Unidos da América.

Então...

Para reforçar a opção por esses critérios, convém lembrar que a língua é organizada a partir de um sistema de elementos e de relações simultâneas.

Esse sistema é formado de sistemas menores conhecidos por níveis:

a) nível fonológico (de som);

b) nível morfossintático (de forma e funcionalidade);

c) nível semântico (significado).

PALAVRA E VOCÁBULO HÁ DIFERENÇA?

Segundo Kehdi, 2007,  a palavra  seria um conjunto marcado por um só acento tônico:  mármore,  café, trânsito. Entretanto, a expressão com o chinelo, por exemplo, também constitui marcação com um acento tônico, na medida em que chinelo possui acentuação na sílaba do meio (ne) e os termos com e o são átonos, e isso não faz da expressão em questão uma palavra.

Os vocábulos seriam também a constituição de fonemas e sílabas mesmo que desprovidos de sentido ou de tonicidade, como os elementos com e o citados no exemplo acima. E palavra seria mais adequado do ponto de vista semântico, como: chinelo, sapato etc. Mas ambas, para os linguistas, são equivalentes.

Para Azeredo (2008), PALAVRA é a menor unidade significativa autônoma constituída de um ou mais elementos dispostos em uma ordem estável.

Pelo que lemos, pergunta-se:

Como podemos perceber as palavras fazendo sentido?

Como entendemos o que as pessoas querem nos dizer?

Através da articulação, ou seja, da possibilidade de análise, da divisão em partes.

Melhor explicando, da DUPLA ARTICULAÇÃO DA LINGUAGEM.

Na estrutura linguística, os elementos (palavras/vocábulos) que a compõem são passíveis de divisão, de segmentação. Esta possibilidade nos conduz a refletir sobre as combinações necessárias para que estes elementos produzam sentido e possam ser utilizados em construções maiores, como no discurso, por exemplo. Dessa forma, passemos à informação que segue.

A linguagem é um sistema de sinais auditivo-orais, articulados, de emprego numa comunidade. Articular significa agrupar unidades menores numa outra maior, todas caracterizadas por uma parcela significativa, ou distintiva.

Vejamos a palavra gatinhas. À primeira vista, trata-se de uma unidade, mas se analisarmos descobriremos quatro elementos distintivos cuja soma é que nos dá o conjunto maior:

gato (1) + inho (2) + (a) 3 + s (4)

1 — o animal

2 — o tamanho

3 — o sexo

4 — a quantidade

Para o linguista francês André Martinet, que primeiro utilizou a expressão “dupla articulação da linguagem”, as combinações legítimas na língua obedecem à seguinte formatação:

DUPLA ARTICULAÇÃO DA LINGUAGEM

1ª articulação: unidades significativas – forma, chamadas morfemas ou monemas que tem a função de SIGNIFICAR.

Ex.: gat – dá origem a palavra

inh – demonstra o diminutivo

a – demonstra o feminino

s – demonstra o plural

2ª articulação: unidades fonológicas – som, unidades distintivas, chamadas fonemas, que tem a função de DISTINGUIR.

Ex.: g + a + t + i + n (nasal) + a diferente

de latinha ou patinha (sons distintivos). Sons de cada letra – fonema.

Ressaltam-se aqui as seguintes características:

• estas articulações são simultâneas;

• são pertinentes à linguagem humana, distinguindo-se de quaisquer outras produções vocais não linguísticas;

• a articulação é o método mais utilizado para entendermos como se constitui ou se estrutura uma língua.