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Mão Atrevida/Crônica de Roberto Lopes
Mão Atrevida/Crônica de Roberto Lopes

Ela estava relutante e não sabia como proceder, mas não podia perder aquela oportunidade única. Afinal, estava ali bem pertinho, quase ao alcance de suas mãos. Perfeito nos detalhes mais exuberantes. A tonalidade morena até que lhe caia bem, sem falar na vestimenta que lhe conferia um ar de pura sensualidade, em suas cores discretas e bem combinadas que despertavam um repentino e intenso desejo, não somente nela, mas em todas as convidadas presentes à festa. Exalava ainda um aroma sutil que inebriava os sentidos dos que estavam à sua volta, fazendo que se destacasse dos demais e provocasse olhares maliciosos da mulherada.

A certa altura, e não conseguindo mais se conter, foi se aproximando  o mais  discretamente possível e tocou-lhe de leve para sentir a maciez da sua textura, mesmo que logo após se sentisse desconsertada por essa ousadia. Chegou, inclusive, a enrubescer ao achar que as demais mulheres a estariam olhando com um ar desaprovação.

Mas a atração fora tão irresistível que não conseguira evitar. Como chegara a tanto? Não deveria agir ao primeiro impulso. Precisava ser mais comedida para não ser considerada leviana. Tinha um nome a zelar e não podia se permitir a um ato deselegante que o maculasse.

Contudo, lá no fundo achou que não agira mal. Apenas não resistira à tentação de roçar levemente os dedos para ter a plena certeza de que ele era real, e não uma miragem maravilhosa. Afinal, do que tinha medo? Se estava ali exibindo a sua exuberância era por um propósito definido, e não deixaria passar esse momento sublime sob pena de perder essa oportunidade. Entendia que precisava ser rápida o suficiente, antes que alguém o alcançasse primeiro, coisa que não permitiria sob pena de se arrepender amargamente.

Então, percebendo que todas continuavam indecisas, resolveu adotar uma resolução extrema, e num gesto ousado rapidamente enlaçou nas mãos o último bombom de chocolate que sobrara na mesa de doces da aniversariante, e com um sorriso cínico o saboreou para desespero das convidadas menos atrevidas.