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Magistério: Uma Profissão em Crise
Magistério: Uma Profissão em Crise

Magistério: uma profissão em crise

Por Cláudia de Villar

Quando uma pessoa escolhe a carreira do Magistério, geralmente, as perspectivas de um futuro colorido e repleto de ideais perpassam pelo imaginário do cidadão. Muito ficam a imaginar o que mudariam na Educação, ou torcem os narizes quando ouvem um futuro colega de profissão se queixar das salas de aulas e, geralmente, pensam que, quando estiverem lá, farão mais e melhor.

Não tiramos a razão desse profissional em ebulição. Provavelmente, ele fará ou tentará fazer mais e melhor. Mas a Educação é mais do que querer. É preciso tirar, nas academias, as lentes cor-de-rosa dos futuros profissionais da educação. É preciso fazer mais do que umas horas de estágio, é preciso muito mais do que dizer a verdade! É preciso enxergar a verdade!

E qual é a verdade? Que educar é profissão, vocação e solidão. Que o professor é aquele profissional, talvez um dos únicos, que tira do próprio bolso recursos para comprar o material de trabalho, giz por exemplo. Que ele não terá apenas, como outro profissional, um patrão ou um órgão ao qual ele estará prestando serviço. Ele será cobrado pelos pais (quando assumir classe inicial do Ensino Fundamental), colegas, direção, SOE, SSE, vizinhos, amigos dos vizinhos, tios, tias, mídia, etc. Ele será cobrado por ele mesmo. A consciência crítica do professor é muito rígida. Suas noites, talvez muitas, serão povoadas pelas questões primárias: será que amanhã terá merenda, água, transporte escolar, papel higiênico para os meus alunos? Pelas questões secundárias: será que terei giz, cartolina, silêncio para trabalhar? Por questões terciárias: será que conseguirei ensinar, eles aprenderão, qual é o melhor método para eles aprenderem, sou competente o suficiente? E por questões, absurdamente, nunca pensadas antes de estar exercendo a profissão como: será que levarei um tiro, será que hoje me chamarão de “vadia?”, será que vão jogar uma classe em mim? Sairei viva da escola?

A crise do Magistério ultrapassa as barreiras do salário e das condições do plano de carreira. E isso é ensinado nos bancos universitários? Qual faculdade dirá ao aluno que ele será submetido à pressão psicológica, talvez diariamente, ao entrar numa sala de aula? A crise não é apenas financeira, a crise é existencial. Como pode, o cidadão que sente que nasceu para ensinar, não sucumbir à pressão psicológica e continuar?

O professor será cobrado, sempre! E, quando as questões primárias baterem à porta da casa do professor, como continuar a ensinar vida digna se ele não tem grana para pagar a sua passagem de ônibus para ir trabalhar? Como ensinar que a Educação é o futuro de um país se ele não vê perspectiva de seu próprio futuro nessa profissão? Se se educa pelo exemplo, o que podemos aprender com o professor além do currículo? Há tantos teóricos que reclamam que a Educação está ultrapassada, que os alunos estão em outro século, que a Educação deve vir ao encontro da realidade do educando, que os currículos estão sem sentido. E, principalmente, que devemos ensinar para o futuro. E qual é a realidade do educador? Qual é a perspectiva do professor?

A crise é existencial. Ser ou não ser professor?