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Literatura Informativa e Jesuítica no Brasil
Literatura Informativa e Jesuítica no Brasil

 

As cartas e os depoimentos de navegantes, missionários e aventureiros que estiveram nas terras brasileiras durante os séculos XVI e XVII constituem um material informativo de grande interesse cultural e histórico.

 

Noticias do mundo de lá

Descoberto em pleno Renascimento, o Brasil não foi imediatamente explorado, pois para os portugueses as colônias orientais eram, na época, bem mais rendosas.  Além disso, o Brasil era uma terra totalmente desconhecida, nada se sabendo de suas características geográficas nem de seus habitantes.

Para transmitir ao rei todas essas informações,  pouco a pouco foram sendo enviadas para cá expedições de reconhecimento e colonização. Junto com os navegadores e colonos, vinham também aventureiros e jesuítas.

Às cartas e aos depoimentos de navegantes, missionários e aventureiros que estiveram nas terras brasileiras durante os séculos XVI e XVII dá-se o nome genérico de literatura informativa, material de grand     e interesse cultural e histórico.

Impregnados pelas superstições fantasiosas que circulavam pela Europa, ainda bastante medieval em certos aspectos, esses homens misturavam frequentemente fantasia e realidade.  A exuberância da natureza da América deixou esses homens maravilhados.  Não se cansavam de falar das árvores frutíferas, da variedade de plantas e flores, dos animais que não conheciam, da imensidão dos rios, do clima agradável.  Revelavam também o espanto do homem europeu diante de uma terra fascinante e de povos cuja cultura era tão diferente de tudo o que eles conheciam.

Destacam-se os registros de dois viajantes portugueses: Pero Magalhães Gândavo, que escreveu Tratado da Terra do Brasil e História da Província de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil, e Gabriel Soares de Souza, autor de Tratado descritivo do Brasil.

A CARTA DE CAMINHA

Pero Vaz de Caminha (1450?-1500) era escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral.  Foi ele o autor da carta dirigida ao rei D. Manuel I, comunicando o “achamento” do Brasil.  A leitura dessa carta permite-nos perceber não só as expectativas dos portugueses com relação ao Brasil como também as impressões eu eles tiveram dos nativos que encontraram.

A beleza física dos nativos e a ingenuidade com que mostravam os corpos nus pressionaram os portugueses, que vinham de uma Europa repressiva nesse sentido, cheia de proibições sociais e religiosas.

É assim que Caminha descreve os nativos:

“A feição deles é parda, algo avermelhada; de bons rostos e bons narizes. Em geral são bem feitos, andam nus, sem cobertura alguma. Não fazem o menor caso de cobrir ou mostrar suas vergonhas, e nisso são tão inocentes como quando mostram o rosto.”

O real e o imaginário

Com a cabeça cheia de lendas e superstições, os navegadores europeus dos séculos XV e XVI pensavam em encontrar nas terras recém-descobertas não só animais monstruosos, gigantes ou seres fantásticos como também o paraíso terrestre.

A busca do paraíso terrestre, aliás, foi uma das preocupações de Cristóvão Colombo. Em 1498, ele descobriu a foz do Rio Orinoco (na atual Venezuela) e, impressionado com a exuberância da natureza da América, acreditava que esse imenso rio só poderia nascer no próprio paraíso de que fala a Bíblia. 

Um francês no meio dos índios

O francês Jean de Léry, que esteve no Brasil no século XVI, deixou muitas informações sobre a forma de organização da sociedade indígena e suas crenças religiosas.

Os jesuítas

A Companhia de Jesus era uma ordem recente. Tinha sido fundada em 1540 em Roma, por Inácio de Loyola, e poucos anos depois já enviava padres para o Brasil com a missão de converter os índios à fé católica. Muitos desses jesuítas aqui passariam o resto da vida, como José de Anchieta, por exemplo, exercendo papel importante no processo de ocupação e colonização da terra brasileira.

Para manter os seus superiores informados a respeito da obra de catequese, os jesuítas trocavam intensa correspondência.  Nas cartas, comentavam as dificuldades da pregação, comentavam aspectos curiosos da flora e da fauna do Brasil, expunham suas ideias a respeito dos índios.

 

A OBRA LITERÀRIA DE JOSÉ DE ANCHIETA

José de Anchieta (1534-1597) ingressou na Companhia de Jesus com 17 anos.  Em 1553, veio para o Brasil e aqui ficou até morrer.  Desempenhou um papel destacado na fundação do Colégio de São Paulo, núcleo da futura cidade de São Paulo, e na catequese dos índios.  Além de homem de ação, foi também escritor religioso, tendo produzido poesias líricas, épicas, textos para dramatização (autos), além de cartas, sermões e uma gramática da língua tupi.