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Ler ou Ver? Eis a Questão!
Ler ou Ver? Eis a Questão!

 

 

Ler ou Ver? Eis a questão

por Cláudia de Villar

http://claudiadevillar.blogspot.com/

Por que temos mais telespectadores do que leitores? Alguém aí esboça uma resposta para tal pergunta? Bem, posso ficar aqui por horas, dias e meses a fio a listar inúmeras respostas e, para minha tristeza e talvez para o desespero de muitos de vocês, penso que a maioria irá responder: “Ora, porque ver/assistir televisão é bem melhor, pô!” Sim, sim, sim, leitores queridos. Ver tv é muitíssimo bom. É ótimo! Eu adoro! Aquelas cores todas, aquelas luzes, aquele movimento, as pessoas, as intrigas, as paixões, as revelações. Enfim, inúmeras emoções ali, ao nosso alcance, sem sair de casa, em televisores enormes! Realmente, ver é muitíssimo bom.

E de outro lado está a leitura. Ali, num quadrado pequeno encapado delicadamente. Com palavras ritmadas, num canto da casa, silenciosamente, guardada. A televisão estimula a união de corpos, de mentes, de diálogos, a leitura é introspectiva, é solitária, exige reflexão, enquanto a tv oferece diversão sem compromisso.

Como conquistar algo sendo um SER que se autodenomina LEITOR? Quem é que presta atenção no leitor? Quem apoia o leitor? Quem defende o leitor? Você, por acaso, leria um BBB impresso? Quantos de vocês ou quantas pessoas vocês conhecem que tiveram contato com alguma obra clássica que só ficou conhecida após ser transformada em filme, novela ou seriado? Alguma vez você viu uma grande livraria aparecer num horário nobre para fazer ofertas de livros? Apenas nas voltas às aulas, não é mesmo? O clima fica como se fosse uma ‘doença contagiosa’ que ninguém quer possuir. Poucos fazem ‘propaganda’ de si mesmo como sendo um leitor, assim como dizemos: sou um médico, um publicitário, um professor (este coitado, está começando uma sociedade com o leitor), sou engenheiro, etc. Não. Simplesmente alguém chega e te diz com orgulho: “Bah, você viu ontem o noticiário? Viu a novela? Viu o que passou na tv?” Tudo isto com voz entusiasmada. Tão feliz e orgulhoso em ser um telespectador. De ver!

Eis o ponto alto da questão e da solução, caros leitores. Quem foi que disse que a leitura é uma prisão que coloca você num estado letárgico e solitário ao qual está fadado ao fracasso humano? De onde tiraram esta premissa de que a leitura é algo enfadonho, sem graça, sem troca, sem voz alegre, sem palavras felizes, sem cor, sem luz e sem vida?

Retomando algumas considerações por mim feitas ao longo desses dias cheguei à conclusão de que existem muito mais pessoas gritando aos quatro ventos que ver tv é excelente e poucas pessoas murmurando que ler é extraordinário! Cadê os exemplos? Cadê nossos pais ensinando esta verdade aos filhos? Cadê os nossos amigos repartindo conosco esta alegria? Ou nos levando para saraus festivos, carnavais literários? E, pelo amor do nosso futuro, cadê os professores leitores e propagadores da enorme alegria que é ser um leitor?!

Se ninguém, ou poucos, dizem que ler é bom, como multiplicaremos o gosto pela leitura? Temos, todos nós, adeptos da prática da leitura, que acordar e começar a gritar: Ler é bom demais! Ler nos transporta para muitos lugares, nos faz aprender diversas coisas, amar diversas vezes, sorrir imensamente, chorar pela dor do próximo que não é próximo, sentirmo-nos felizes pela conquista de uma personagem tão perto e tão viva que nos faz sentir fazer parte da sua família, daquele livro, daquelas vidas. É isto que falta: os gritos dos leitores! Os exemplos dos viciados em livros. A exaltação de um valor esquecido. O valor da leitura. A importância em ser um leitor. Nós, tarados por Literatura somos os semeadores de novos leitores, novos indivíduos, novos cidadãos. Somos semeadores de um Brasil forte. Pensante, pulsante e crítico. Ser leitor é estar vivo e conectado com as inúmeras possibilidades de mudança. Mudança do país e de si próprio. Então, ‘bora’ lá ler.

Leia, inove, transforme-se. Seja uma pessoa, “multiplicavelmente” feliz!

Nota da colunista: “Multiplicavelmente”: substantivo não encontrado no dicionário, mas vivo na literatura das ideias pensantes e criativas.