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Homens sem Mulheres, de Haruki Murakami
Homens sem Mulheres, de Haruki Murakami

RELAÇÕES AMOROSAS SEGUNDO MURAKAMI

 

Haruki Murakami nasceu em Kyoto, no Japão, em janeiro de 1949, e tem sido considerado um dos autores mais importantes da literatura japonesa da atualidade.  Ele vive nas proximidades de Tóquio, sua obra já foi traduzida para 42 idiomas e recebeu importantes prêmios, como o Yomiuri e o Franz Kafka.

 

No Brasil, a Alfaguara já editou títulos importantes do autor, como o relato DO QUE EU FALO QUANDO FALO DE CORRIDA e os romances CAÇANDO CARMEIROS; DANCE, DANCE, DANCE: NORWEGIAN WOOD; KAFKA À BEIRA-MAR; a trilogia 1984 e O INCOLOR TSUKURU TAKAZI E SEUS ANOS DE PEREGRINAÇÃO.

 

HOMENS SEM MULHERES (Alfaguara, 240 páginas, tradução de Eunice Suenaga), lançado há poucos meses no Brasil, apresenta sete contos, sete narrativas sobre relações amorosas a partir de ângulos diversos, trazendo o estilo único e intransferível deste autor que está entre os melhores do mundo em termos de sua geração, segundo muitos.  O autor, com sua prosa densa, sutil, delicada e precisa, muito ao estilo da tradição nipônica, mas com sopro de renovação, revela o isolamento e a solidão que andam em meio às histórias de amor.  Mal-entendidos, finais de relacionamento, amores não correspondidos, fantasmas do passado e a paixão vivida como doença estão nas narrativas, assim como o homem que encontra uma mulher motorista para levá-lo a conhecer Tóquio; lembranças de um primeiro amor e um inseto que se transforma em Gregor Samsa no conto Samsa apaixonado.

 

Mas ao fim e ao cabo, como seria de se esperar, as verdadeiras protagonistas das histórias são as mulheres, que misteriosamente invadem as vidas dos homens e desaparecem, deixando aquelas marcas inesquecíveis que serão lembradas em meio a canções, cigarros, bebidas, saudades, amor e recordações, muitas recordações.  “Um dia, de repente, você vai ser um homem sem mulheres”, está escrito lá na contracapa.

 

Nas linhas finais do último conto do volume, estão as palavras: “Como um dos homens sem mulheres, eu rezo do fundo do coração.  Parece que não há nada que eu possa fazer agora a não ser rezar.  Por enquanto.  Possivelmente”.

 

Os leitores encontrarão referências a Kafka, Erneste Hemingway, às narrativas de Sherazade em AS MIL E UMA NOITES e muitas referências musicais.  Na apresentação, ali[ás, está dito que se este livro fosse um álbum de música, seria uma mistura de Sgt. Peppers (Beatles) e Pet Sounds (The Beach Boys).

 

Enfim, com sua habilidade de criar mundos próprios e com seu talento narrativo, nas sete narrativas, com olhares diversos, o autor variou com criatividade sobre o mesmo tema, o amor, o tema de sempre, o maior tema.

 

Fonte:   Jornal do Comércio/Livros/Jaime Cimenti (jcimenti@terra.com.br) em 31 de julho de 2016.