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Homenageando Jorge Amado por Luísa Ramos
Homenageando Jorge Amado por Luísa Ramos

Homenagem da portuguesa Sra. Luísa Ramos ao escritor Jorge Amado, quando de seu falecimento...

 

BRASIL DE LUTO PROFUNDO

 

Secou a fonte de HYPOCRENE, quando hoje, adormeceste... MESTRE!

 

As ninfas do teu oceano vieram de soslaio oferecer flores e levar-te, de mansinho, para o JARDIM DOS ARTISTAS! Colocaram-te uma coroa de louros, vestiram-te de branco e púrpura e numa roda multicolor... partiste céu acima coadjuvado, à esquerda e à direita, por mil aves que chilreavam um trecho excelso de MOZART! Muitos dos faisões do teu séquito beijaram os teus pés cansados de palmilhares rios de Terra para espalhar valores e obrigar o Homem a ser coeso e determinado. Muitas gaivotas beijaram as tuas faces níveas, disseram que foste qual «árvore que adormeceu de pé» e juraram ao pai, INFINITO que, na zona mais recôndita para onde te levariam, jamais alguém te tocaria, porque serias feito Rei da escrita, Senhor das Letras, Mestre das palavras, e oferecer-te-iam o maior galhardete que um Homem pode receber – a eternidade pintada de letras e lições.

 

As andorinhas que te cercavam dialogaram com o teu BRASIL e pediram ao teu povo clemência, porque a vida terrena é efémera e tu estavas deveras cansado de tantas «Garielas, Cravo e Canela». Escreveste, tentando obrigar o Homem a parar para pensar, mas constataste, à imagem de muitos outros Mestres, que apesar do conjunto de vogais e consoantes que dissecaste, o Mundo não se moveu, o Mundo... semeou Dor... Desalento... Guerra e Tormento.

 

Disse-nos o Gavião que seguia à tua frente, que o Brasil não ficaria de luto com a tua ascese ao Infinito; todavia cairia na contemplação da tua leitura, na frescura das tuas descrições e narrações e, meditaria – com rigor - na obra que deixaste.

 

Lindo foi o discurso do melro, quando te tocou, elevando-te em direção do teu Deus! Dizia que homens como tu, que foste de sobremaneira amado, serão além da vida sacralizados e considerados pais da elegância, da moral e da virtude humanas. Ouviu-se, a determinada altura, ditos de despedida. A tua voz solicitava que te cremassem, e pedia que depois te deitassem naquele jardim que tanto amaste. Pedias ainda que te regassem, periodicamente (junto com a árvore que sempre amaste); tudo isto porque sabias, decerto, que as tuas cinzas regadas seriam fontes de HYPOCRENE que o Brasil terá, e de onde o Mundo beberá.

 

Descansa em paz Mestre! Saúda os nossos escritores que saídos daqui - antes de ti - foram felizes e ficaram vivos em nós, na observação dos textos, na audição da palavra e no palpar da recordação.

 

Para ti ... um bem hajas Mestre, e até um dia!