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Ginásio Diocesano de Garanhuns-PE - 100 anos
Ginásio Diocesano de Garanhuns-PE - 100 anos

Ginásio Diocesano de Garanhuns-PE – 100 anos

 

       Quando eu nasci ele já era o gigante da Praça da Bandeira. Nasceu em 21 de Março de 1915. Cresci me arrepiando quando a sua banda, inigualável, enchia de música a brisa de Garanhuns, que sorrateira, sussurrava baixinho os acordes que faziam estremecer os nossos peitos. Quantos anos se foram? Quantas histórias foram escritas naquelas bancas escolares. Quantos acordes seus bombos, cornetas, pratos e tambores não fizeram tremer de emoção as sete colinas, que aplaudiam orgulhosas vestidas de verde, o seu garboso desfilar. Quantos conseguem viver tanto com a mesma beleza e grandeza inabaláveis? Desconheço. Vou ao fundo da gaveta da saudade e reviro nomes e histórias gravados em imensas letras de ouro.

       Cato as recordações como se fora o pão esquecido e que dele agora necessito, para saciar a minha fome de uma vida deixada lá atrás, mas que ecoa em cada gota de sangue que flui em minhas veias e derramam-se pelos meus olhos perdidos nas lembranças. Cem anos. Sim, faz cem anos que ele canta o estribilho do amor e faz o verde abrir-se em flores entoando junto o cântico do seu “templo sagrado de luz e saber”. Alí, só os homens tinham o privilégio de adentrar. As moças esperavam o ano inteiro para invadirem a sua quadra de esportes na época dos jogos escolares. Felizes as que conseguiam paquerar, mesmo de longe, um interno de lá, sob o olhar atento do Monsenhor. O internato era a causa principal dos corações das moçoilas pulsarem loucamente, principalmente aos domingos, quando entrava em perfilado na matinê do Cine Teatro Jardim e todas as cabeças se voltavam. Eram rapazes lindos e de todas as partes do Brasil. Era tanto alumbramento! Quantas lembranças!

       Hoje vendo o Blog de Anchieta Gueiros, li emocionada os nomes dos primeiros alunos do nosso gigante, que hoje, muitos, dão nomes a praças e logradouros da terra, mostrando o quão imensos tornaram-se após cruzarem a porta daquela casa. Orgulho grande em tê-lo conhecido. Em ter sido expectadora do seu crescimento e de toda a sua glória. Administrado pelas mãos de ferro, que segurava um coração enorme, do Monsenhor Adelmar da Mota Valença por longos anos, o Ginásio Diocesano acolheu nos seus aposentos como alunos, nomes celebres da história do Brasil, quer seja nas artes, na política, no direito, enfim, nas ciências como um todo. O seu Hino, encomendado por Mons. Aldemar, com letra e música do Cônego Pedro Magno de Godóy, foi cantado pela primeira vez em 12 de Outubro de 1938 e continua nos arrepiando até hoje. Eis um trecho de um dos mais belos Hinos do mundo.

“Alto padrão de civismo e de glória,

Templo sagrado de luz e saber,

És o penhor de estupenda vitória,

Que para nós o lutar é vencer!

Por Deus marchamos, levando a bandeira

Da pátria nossa, gentil brasileira.

Avante, pois, com ardor juvenil.

Pelo Brasil, pelo Brasil”!

       Herança sem preço esse “berço de ciência e fé” vai escrevendo uma das mais belas histórias que a terra haverá de ler para todo o sempre. E assim vai se passando de mão em mão, de pais para filhos e netos, o grande privilégio de cruzar a enorme porta que separa os homens do sonho e da realidade. Do lado de dentro das suas portas e janelas ecoa a grande música, que varando o tempo explode no refrão da saudade...

 

                                                                                   Lígia Beltrão