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Fórum Brasileiro pelos Direitos Culturais
Fórum Brasileiro pelos Direitos Culturais

O VALOR DA CULTURA

 

POLÍTICA CULTURAL: Fórum criado para discutir a inserção da cultura na dinâmica econômica festeja conquistas após realização de encontro em Porto Alegre.

 

A volta dos repasses dos 3% do valor bruto arrecadado com as loterias federais no Brasil pra o Fundo Nacional de Cultura (FNC) retornou à pauta no Ministério da Cultura. Noticiada nos últimos dias, a ação é uma das grandes conquistas do Fórum Brasileiro de Direitos Culturais (FBDC). Os debates do FBDC, em interlocução com a Ordem dos Advogados de São Paulo, resultaram na proposita de uma ação pela OAB Federal contra a União, visando cessar o contingenciamento de recursos e buscar que os valores já contingenciados (cerca de R$ l,8 bilhão) sejam devolvidos ao FNC.

 

Entre discussões, sugestões e ações, o FBDC foi criado com o objetivo de buscar caminhos para a arte no país, contando hoje com cerca de 160 representantes de organizações, empresas e coletivos. Há eventos previstos para várias localidades. A primeira cidade a receber os debates em 2018 foi Porto Alegre, um grande polo de produção cultural do país. O encontro na capital gaúcha foi realizado na Fundação Iberê Camargo no dia 27 de fevereiro.

 

Elaborada pelo Grupo de Trabalho de Economia da Cultura do Fórum, a programação foi pensada a partir da parceria com o Núcleo de Estudos em Economia Criativa e da Cultura (Neccult) da UFRGS e do Observatório de Economia Criativa do RS. O FBDC busca fomentar a construção de um pensamento que coloque a cultura no centro da dinâmica econômica, mapeando iniciativas de impacto no desenvolvimento da sociedade brasileira, na geração de negócios, emprego e renda. Em Porto Alegre, o debate tratou dos territórios culturais como espaços de fixação e construção de realidades econômicas diversificadas e nos processos de internacionalização da arte brasileira.

 

No lastro das grandes questões apontadas pela economia da cultura, situa-se uma preocupação crescente em torno da sustentabilidade das instituições culturais. Uma continuidade no reexame dos processos de governança e gestão de nossas instituições se faz cada vez mais necessária. Nesse sentido, novos indicadores emergem, tais como a busca de fontes plurais de recursos, aliada à transparência institucional e à adoção de modelos de endowment capazes de garantir estabilidade.

 

A produção cultural brasileira é pujante e cresce a cada dia, inclusive absorvendo mão de obra de outras atividades produtivas. A cultura necessita essencialmente da mão de obra humana e, por isso, tem alto poder de empregabilidade. O setor cultural emprega mais do que a indústria automobilística e a eletroeletrônica, por exemplo.

 

É essa também uma das forças que fazem movimentar o FBDC: as pessoas. Uma das metas do coletivo é aumentar a participação dos produtores independentes, das mais diversas expressões artísticas. Esses produtores, de maneira geral, são os próprios artistas, e a colaboração e reflexão que podem trazer são de vital importância, afinal, são eles a ponta da cadeia produtiva das artes.

 

Entre os tantos caminhos que o Fórum pretende abrir, estão a articulação de modelos de desenvolvimento do campo cultural, observando as características e as demandas de cada setor e o fortalecimento do segmento, desenvolvendo caminhos de proteção à criação e à distribuição da arte produzida no país.

 

O Fórum se manifestou publicamente em 2017, quando houve risco de censura e represálias em exposições de arte. Em repúdio aos acontecimentos, o FBDC defendeu que os debates e reflexões devam ser norteados por um ideal republicano, assegurando a liberdade de expressão, como preconiza a nossa carta magna, a Constituição Brasileira.

 

O primeiro encontro do FBDC foi realizado em junho de 2016, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, reunindo representantes de mais de 90 instituições ligadas à cultura, momento histórico, articulado por Eduardo Saron, OdilonWagner e Ricardo Ohtake. Até hoje, foram realizados 10 encontros, no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre e São Paulo. O coletivo é um movimento voluntário, colaborativo e suprapartidário.

 

Fonte: Zero Hora/Caderno DOC/Maria Ignez Mantovani (Museóloga/diretora da Expomus)/Odilon Wagner (Ator, membro da Associação dos produtores Teatrais Independentes)/Ricardo Ohtake (Diretor do Instituto Tomie Ohtake em 11/03/2018.