Translate to English Translate to Spanish Translate to French Translate to German Translate to Italian Translate to Russian Translate to Chinese Translate to Japanese




ONLINE
7





                                              

                            

 

 

 


Escritores Independentes por João Paulo Brasileiro
Escritores Independentes por João Paulo Brasileiro

ESCRITORES INDEPENDENTES

 

Hoje, na parte da manhã, bateu em meu portão um rapaz, um tanto quanto mal arrumado, roupas limpas, mas percebia-se que estavam bem surradas.

O atendi educadamente, como faço com todos que batem à minha porta.

- Bom dia, senhor! Gostaria de apresentar meu trabalho, será que o senhor teria um tempinho para me ouvir?

Percebi que carregava uma bolsa de brim a tiracolo, com certo volume, aparentando estar pesada.

Respondi-lhe que sim, que apresentasse seu trabalho.

- Então, meu senhor, eu sou um escritor e adoraria se pudesse contar com seu prestígio, deixando-me ler um trechinho do meu livro para o Senhor, pode ser?

Claro, lhe respondi.  E ele então, leu um pedacinho do que seu sonho escreveu.

 

Ouvi atentamente, porém, não consegui registrar nada do que narrou.

Desatenção e desrespeito meu? Não! Nem um e nem outro, porque naquele momento, eu estava emocionado e com a sensibilidade à flor da pele, pois percebi ser mais um colocador de sonhos nos papéis da historia.

“Solitário e invisível talento”.

Antes mesmo que ele terminasse de ler aquele trecho do seu livro, o interrompi e lhe perguntei quantos exemplares havia editado?

- Apenas 50 exemplares, porque não tenho recursos, estou tentando vender os 50 volumes, para que possa juntar um pouco mais de dinheiro e publicar mais um tanto.

Uma chama de raiva invadiu-me e se espalhou por todas as minhas veias, mas controlei-me e, sem me identificar, pedi-lhe que falasse um pouco da sua vida, do que sente, do que é ser um escritor independente.

Sem muito esclarecimento, mostrando que aquele era seu primeiro feito, não soube dizer o que a realidade mostra, então, o convidei a entrar.

 

Mostrei-lhe todos os livros que escrevi e mais alguns rascunhos que ainda estou escrevendo.

Percebi o seu espanto, seus olhos demonstraram surpresa e, com muito cuidado, pegou um a um e folheou rapidamente.

Então, resumindo, disse-lhe como é, o que se passa no universo literário e como são vistos pelas editoras, os escritores independentes.

Hoje, existem quatro maneiras para que você seja um escritor de fato, com seu trabalho publicado.

 

1° - Você deve ter um pistolão (QI) (Quem indica), com alguma influência pública, financeira ou de poder político, para que lhe facilitem a entrada no mundo literário como autor.

 

2° - Você deve ter uma estrela enorme e um estilo diferente para conseguir ser recebido por uma dessas “editoras”, como contratado, ainda assim, na maioria das vezes, você terá que adquirir vários exemplares da sua própria obra, sob o argumento das despesas com ISBN, ABL, e despesas extras, etc.

 

3° - Você deve ter um patrocínio forte lhe dando cobertura, mas ainda assim, terá que trabalhar muito para divulgar e vender a obra.

 

4° - Tirando esses exemplos que lhe dei, só lhe restará ter muito dinheiro para conseguir editar de 100 a 500 ou um pouco mais de exemplares, porque o valor é tão alto, que desanima qualquer um que sonhe em ser escritor.

 

Ainda por cima, sem qualquer escrúpulo, essas “editoras” de aluguel, usam o seu trabalho para seu merchandising, colocando em destaque seu nome, telefone, logotipo e endereço na capa que é sua, que você criou, que pertence à sua obra, sem ao menos lhe reembolsarem um centavo por isso, nem mesmo como um pequeno desconto!

 

Usam e abusam de nossos sonhos, pois sabem que nós, escritores e poetas, somos assim, sonhadores e não medimos esforços para ver nosso trabalho reconhecido e admirado por outras pessoas

 

São LADRÕES DAS PALAVRAS, essa é minha forma de detestar e protestar contra essa anticultura que se auto denomina “editora”.

Nosso Brasil é maravilhoso, rico em tantas coisas, com uma diversidade enorme de cores, sabores, classes sociais, credos e raças e, imensamente pobre quando se trata de cultura escrita (Livros).

São inúmeros os que sonham em ter seu registro para a eternidade, nem que seja só para os familiares.

Mas as recusas, a desfaçatez, a arrogância e mercenarismo encontrado nos canais que existem para desencadear cultura por esse imenso território, são tão mesquinhos e ordinários que acabam por esconder muitos talentos.

Ler é pecado!

Ler cansa!

Ler coíbe meus momentos de lazer!

E o mais verdadeiro e pior... Ler custa caro!

Ah, meu Brasil, você é uma invejável poesia, uma incrível historia, um dos mais belos poemas entre todas as pátrias, ordene aos seus governantes que libertem os grilhões dessa insensatez!

 

 

João Paulo Brasileiro... Artista Plástico e Designer Gráfico.