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Educação: Os Bons Efeitos de Ler para os Filhos
Educação: Os Bons Efeitos de Ler para os Filhos

EDUCAÇÃO: OS BONS EFEITOS DE LER PARA OS FILHOS

 

Simples e eficiente, Mãe, filhas e um livro: um gesto que, se benfeito pode ser o melhor momento do dia em casa.

 

HORA DA HISTORINHA

 

Pesquisa mostra que ler para os filhos, além de estimular um bom hábito, reforça vínculos, ajuda a desenvolver a inteligência e pode melhorar até a vida em família.

 

O ato é da mais extrema simplicidade: a mãe ou o pai senta-se com o filho pequeno e lê com ele um livrinho. O hábito é universalmente aceito como uma alavanca para o desenvolvimento infantil, mas até este momento não havia nenhuma grande pesquisa no Brasil que mostrasse quanto a leitura pode ser decisiva para estimular a inteligência desde os primeiros anos de vida. Agora há. Um estudo que acaba de ser publicado pela prestigiada revista americana PEDIATRICS, conduzido por especialistas do Instituto Alfa e Beto (IAB), de São Paulo, em parceria com a Universidade de Nova York (NYU), revela que ler em voz alta para a criança não apenas contribui para afiar o raciocínio e formar futuros leitores em casa, dependendo da frequência e do empenho dos pais.

 

A pesquisa foi realizada entre 2014 e 2015 com 660 famílias pobres com filhos de 2 a 4 anos matriculados em creches públicas de Boa Vista, capital de Roraima. Durante um ano, pais e mães leram, em média, vinte livros junto com os filhos. Os pais receberam treinamento em leitura interativa, para extrair o máximo da experiência. Aprenderam, por exemplo, a não acelerar o passo, de modo a reservar tempo para conversar sobre a história no meio dela e puxar pela curiosidade das crianças. Ao longo da investigação, várias medições foram feitas em uma batelada de testes. O que aferiu o Q.I. da criançada chegou a uma conclusão extraordinária: a turma apresentada à leitura avançou 80% mais no teste de inteligência em comparação com os que ficaram de fora do experimento. O fato de eles virem de ambientes tão desfavoráveis torna o resultado mais contundente.

 

Os livros contêm linguagem e ideias muito mais complexas que a fala típica das crianças. A leitura compartilhada as incentivou a desenvolver o vocabulário e o pensamento abstrato”, disse a VEJA, Adriana Weisleder, pesquisadora da faculdade de medicina da NYU e uma das autoras do estudo. O presidente do IAB, João batista Oliveira, acrescenta: “O teste utilizado mede a capacidade de raciocínio, independentemente da habilidade verbal. Os resultados sugerem que as crianças foram estimuladas a raciocinar”.

 

Outra constatação importante é que as relações familiares melhoraram. No grupo que participou da pesquisa houve redução significativa do uso de castigos físicos pelos pais. Muitos relataram, inclusive, que a hora da leitura passou a ser uma das melhores do dia. “É possível que eles tenham adquirido novas formas de dialogar com os filhos. Estes, por sua vez, ao receber atenção individualizada, reduziram a frequência do mau comportamento”, explica Denise Rocha, pesquisadora do IAB. Por seus múltiplos efeitos confirmados pela ciência, não dá para abrir mão dessa rotina em família. E atenção, pais: vinte livros são só o começo.

 

ERA UMA VEZ…

 

Ler para os filhos pequenos é sempre bom, mas será ainda melhor se os pais seguirem as recomendações de especialista no assunto.

 

SENTEM-SE BEM PERTINHO

 

Pôr a criança no colo ou acomodada em um abraço reforça o contato dela com o livro e fortalece o vínculo com os pais.

 

INTERROMPA A LEITURA PARA CONVERSAR

 

Não tenha pressa. Deixe que a criança fale sobre a história e compare você mesmo cenas de ficção com a vida real.

 

APONTE PARA AS FIGURAS

 

Cada vez que os pais comentam “Olha o cachorrinho” estão ampliando e estimulando o vocabulário dos filhos.

 

ACOMPANHE A LEITURA COM O DEDO

 

As crianças vão perceber que ela se dá de cima para baixo e da esquerda para a direita – um primeiro passo para aprender a ler.

 

INCENTIVE A CURIOSIDADE

 

Cultive o interesse da criança pela história, parado em certos pontos para perguntar: “E agora? O que vai acontecer?”

 

 

Fonte: Revista VEJA/Luisa Bustamante em 21/02/2018