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Diga com Quem Pensa
Diga com Quem Pensa

DIGA COM QUEM PENSA

 

O final do século XIX e o século XX produziram inúmeros grandes pensadores.  Havia até polêmicas sobre o que movia o mundo:  as ideias ou a matéria?  O positivismo apostava as suas fichas na objetividade, na neutralidade, na imparcialidade e na verdade científica irrefutável.  Na contramão dessas perspectivas, aqueles que se transformariam em grandes monstros do pensamento corroeram com suas ideias os pilares do cientificismo sem subjetividade e convencido de leis sociais ou históricas jamais demonstradas.  Uma guerra de titãs.

Ser intelectual era chique, embora sofrido.  Podia-se amargar prisão, exílio, falta de dinheiro e incompreensão.  Havia até uma expressão em francês para rotular os maiores:  “maitres-à-penser”.  O francês deu os doces.  O inglês virou língua franca.  Os mestres do pensamento foram traduzidos pela linguagem popular do Brasil como “gurus”.  Onde andam?  Esta edição do Caderno de Sábado vai falar de alguns deles, deixando tantos outros de lado, cujos rastros ainda estão por aí:  Friedrich Nietzsche, Martin Heidegger, Carl Gustav Jung, Charles Sanders Peirce, Theodor Adorno e Walter Benjamin.

 

 

Por que esses?  Nietzsche e Heidegger são precursores do pior e do melhor que estão por aí:  da crise do conceito de verdade, passando pelo fim da metafísica até a pós-modernidade.  Certamente não pensaríamos o que pensamos sem esses dois alemães tão diferentes e tão geniais, tão singulares e tão universais.  Para falar de Nietzsche, convocamos o professor Francisco Rüdiger, que há anos se dedica a compreender a obra do autor de “Assim Falou Zaratustra”.  Para mostrar as marcas de Heidegger em nossas vidas, chamamos o principal especialista brasileiro na obra e na vida do autor de “Ser e Tempo”, o filósofo gaúcho Ernildo Stein.  Carl Gustav Jung é outro capítulo.  Em oposição ao racionalismo absoluto, ele destacou outros pontos sensíveis da máquina humana, inclusive a intuição.  Michel Maffesoli, professor da Sorbonne, exímio conhecedor de Jung e da pós-modernidade, comparece com mais um texto elucidativo e provocante.

Estamos na era e no mundo das imagens, dos símbolos, dos signos, dos ícones, dos significantes, dos significados, da mídia, da cultura e da “indústria cultural”.  Um mundo enigmático, trepidante, multifacetado e polissêmico que certamente exige uma matriz especial de interpretação:  a semiótica.  Nada melhor do que contar com Maria Lucia Santaella, professora da PUC-SP, a mais consagrada especialista brasileira do assunto, para falar do pai da semiótica, C.S.Peirce.  Apresentação semelhante vale para Ciro Marcondes Filho, professor da Universidade de São Paulo (USP), que apresenta Theodor Adorno e seus conflitos com Walter Benjamin, ambos expoentes da chamada “Escola de Frankfurt”, termo que engloba os diferentes intelectuais que se debruçaram sobre o fenômeno fascinante e complexo da manipulação das consciências pela indústria do entretenimento e pelos meios de comunicação de massa, agora chamados simplesmente de mídia.

 

Fonte:  Jornal Correio do Povo/Juremir Machado da Silva em 15/08/2015