Translate to English Translate to Spanish Translate to French Translate to German Translate to Italian Translate to Russian Translate to Chinese Translate to Japanese




ONLINE
5





                                              

                            

 

 

 


Dia dos Professores? Para Quê? Por Quê?
Dia dos Professores? Para Quê? Por Quê?

DIA DOS PROFESSORES?  PARA QUÊ?  POR QUÊ?

 

Até quando vamos resistir?  Até quando vamos continuar nessa luta insana em busca de alguma coisa?  Mas buscamos o que mesmo?  Não sei, perdi-me nesse emaranhado de salários atrasados, vidraças quebradas, greves, períodos reduzidos, sonhos desfeitos e alunos grudados em celulares.  Eu sei, o que vou escrever já foi escrito mil vezes, mas não com as minhas palavras de professora!  O ser é falho, hipócrita, somos erráveis na dimensão em que vamos vivendo de acordo com os nossos valores ou a falta deles.

 

Sou professora, não uma educadora (no sentido lato da palavra), pois parto do princípio básico de que a educação vem de casa.  Entretanto, todos os dias educo os meus alunos para um mundo melhor.  Mas não sei ser uma ativista política ou social, andei poucas vezes nas ruas empunhando bandeiras ou ditando palavras de ordem, até tentei, mas não consigo. “O cara de cima” me fez estragada para caminhar em multidões, me fez dotada de palavras, silêncios e muitas reflexões.  As multidões me cansam, não consigo ser um carneiro seguindo o rebanho, as leituras me apodreceram por dentro ou por acreditar que “toda unanimidade é burra”.  Entretanto, penso.

 

Atualmente, observo, leio muito, acredito que seria redundante dizer que o mundo educacional também se corrompeu.  Uma vez que somos corrompidos, diariamente, quando cometemos falsificações ao impor as nossas palavras sobre o outro.  Aquele Outro, que pouco domina os melindres das expressões manipuladoras, ouve somente a beleza e não o sentido, o que existe dentro das palavras belas.  Isso se constitui em uma grande corrupção, aliciar, colonizar pessoas que não possuem o domínio pleno da interpretação.  Uma falha nossa.  Não acredito mais em paralisações, greves, berros, palavras de ordem, colegas querendo aliciar colegas com palavras ofensivas em redes sociais ou em ocupações de espaços públicos.  Em que acredito? – vão me perguntar.  Sei lá, no momento, calei-me, escolhi o silêncio, um silêncio pleno de leituras e pensamentos.  Não me calei por receio, jamais tive medo de nada, é somente um cansaço intelectual, por achar que as minhas palavras não farão nenhuma diferença em qualquer debate, seja em reuniões ou mídias sociais.

 

Estamos contaminados, mesmo os que lutam cometem a corrupção, pois agridem os que ousam agir de forma desigual a eles!  Sei que estamos caminhando para um fim e como todo fim representa um começo... Eu creio num futuro próximo e quem sabe poderemos dizer: um feliz dia do professor, mestre querido!

 

Fonte:  ZeroHora/Marisa Piedras/Professora Estadual, mestre em Letras, em 14/10/2016.