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Deus é Mesmo Brasileiro!/Conto de Luiz Amato
Deus é Mesmo Brasileiro!/Conto de Luiz Amato

CONTO:  DEUS É MESMO BRASILEIRO!!!

AUTOR:  Luiz Amato                                                            [3]

 

Deus é mesmo brasileiro !!!!

 

 

Final da Copa do Mundo de Futebol.

Do lado de fora do quarto, Paulo bate com força na porta:

– Acorda Senhor, o jogo já vai começar.

Ainda meio zonzo pelo despertar repentino, Ele senta na beirada da cama.

 Estou ficando muito parecido com os humanos. Eu queria apenas tirar uma sonequinha.

– Já estou indo.

Ao entrarem na sala de TV, Ele pergunta:

– Você chamou mais alguém para ver o jogo? Sabe como fico nervoso quando joga a seleção.

– Não chamei Senhor.

– Muito bom assim. Você providenciou o que pedi?

– Sim Senhor. Está tudo sobre a mesinha ali ao lado. Pipoca na manteiga, coxinhas, torresminhos bem crocantes, picles, sucos diversos, água – abaixando o tom, aproximou-se mais Dele. – e também cerveja gelada e duas garrafinhas de Smirnoff Ice como o Senhor sugeriu – Paulo dá um sorriso maroto.

– Ta certo. Não precisa ficar repetindo que foi sugestão minha. Liga logo essa TV. Ah, mais uma coisa. Nada dessa estória que falta jogador do São Paulo na seleção. Imagina, só porque você é o Santo protetor deles, quer ficar fazendo lobby.

Eles sentam no imenso sofá, fofo e branco como uma nuvem.

A TV é ligada na hora que começa o hino brasileiro. Solenemente Ele se levanta, assumindo a posição de sentido. Com o canto do olho, vê Paulo ainda confortável, instalado no sofá. No melhor estilo militar grita:

– Paulo, tenha respeito e levanta esse traseiro gordo – de imediato ele se levanta, posicionando-se ao lado Dele.

É iniciada a partida. Ele pega duas bandeirinhas e passa uma para Paulo, que está com cara de poucos amigos. Afinal para ele tudo já começa mal, pois o Brasil perdeu na moedinha do sorteio de campo.

Os primeiros quinze minutos são terríveis. O Brasil não consegue chutar uma bola para o gol. Paulo resmunga frases sem sentido.

Os próximos quinze são pior ainda. Alem do Brasil não atacar, é massacrado em sua defesa.  O goleiro brasileiro faz seguidas defesas milagrosas.

– Esse goleiro merece ser canonizado – Ele comenta, roendo as unhas.

Paulo nem se dá ao trabalho de responder. Está com a cabeça enfiada embaixo de uma das almofadas do sofá, para não ver o baile que a seleção brasileira está levando.

Para felicidade de ambos, o time aguenta e termina o primeiro tempo sem levar gols. Mas também sem conseguir chutar nenhuma bola em direção às traves.

Ele se levanta. Vai até a mesa, fazendo sinal para Paulo.  Comem coxinhas, torresminhos e pipoca, regadas a suco.

Paulo não para de reclamar que a seleção está horrível, mas Ele pede calma:

– Tenha fé. Temos todo o segundo tempo pela frente. Vamos melhorar, você vai ver – Paulo se engasga com um picles.

Começa o segundo tempo. Nenhuma modificação no time brasileiro.

Passados dez minutos o clima é tenso. Nenhum dos dois sequer piscam. Paulo quebra o silêncio soltando uma piadinha:

– Esse time parece a seleção do setor de autopeças; só tem volante – Ele o fulmina com um olhar atravessado.

Nesse mesmo instante o time adversário chuta uma bola na trave.

– Cara.....! – Paulo quase conseguiu gritar, mas teve sua boca tampada pela mão Dele.

– Vá até a mesa e trás as duas Ice, quem sabe melhora o nosso estado de espírito – Ele fala.

Passam mais dez minutos – Paulo está numa angústia só.

– Do jeito que está indo nós vamos perder. O Senhor não pode dar uma mãozinha?

– Que é isso? Ta me estranhando? Sob nenhuma hipótese eu devo interferir. Esqueceu?

– Claro que não, mas gostaria de lembrar que o Senhor fez o raio cair três vezes no mesmo lugar.

– Não estou entendendo essa ligação de raios com futebol – Ele falou como se nada soubesse sobre o assunto.

Senhor – insistiu Paulo. – Estou falando de Pelé, depois Robinho e Neymar.

– Ah! – Ele exclamou – Nesses casos, foi uma questão de pura lógica. Onde eu colocaria esses Anjos, para não exagerar e chamá-los de Gênios, do futebol, se não num time com nome de Santos. Mas vamos parar a conversa. Concentre-se em torcer.

O relógio marca trinta e cinco do segundo tempo. A seleção continua tomando um baile, mas de repente, eis que um atacante do Brasil livra-se da marcação e corre em direção ao gol.

Os dois quase caem do sofá. Pipocas voam pela sala. Agarram um no braço do outro pulando, numa gritaria louca:

– Vai, vai, chuta, agora, vai ......

No momento exato da finalização, um beque do time adversário se recupera e trava o chute, fazendo com que a bola chegue fraca e fácil as mãos do goleiro.

- Filho da .........! – virando-se para Paulo Ele pede desculpas.

Cada minuto agora é um drama. A bola não para de rondar a área brasileira.

Paulo pede licença para ir o banheiro, alegando ser problemas do torresminho com a cerveja e a Smirnoff, mas Ele o puxa pelo braço dizendo:

– Aguenta firme, se você sair e eles fizerem um gol vou pensar que foi por sua culpa. Por ter parado de torcer.

Paulo não suporta mais olhar para a TV, o time adversário é todo pressão.

Senhor. Faça alguma coisa, estamos sendo massacrados.

Ele não responde. Está roendo as unhas dos quatro dedos ao mesmo tempo. As bandeirinhas estão picadas no chão.

São quarenta e quatro minutos do segundo tempo. O sufoco é terrível.

Um zagueiro brasileiro rouba a bola e dá um chutão para frente. Um dos nossos laterais corre e consegue pegá-la, cruzando para área. O atacante tenta o cabeceio, mas ela passa por ele sendo cabeceada pelo defensor, para fora da área.

Paulo está gritando palavras de ordens, palavrões e vários outros impropérios, quando, sem acreditar, vê a bola cabeceada, rechaçar nas costas de outro zagueiro, voltar e chocar-se com a perna de um terceiro defensor. Por final, bater nas costas de nosso atacante que tropeçara na tentativa de finalizar, rolando em direção ao gol.

Gol?

– Goooooooooooooooooooooooooooooool !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Paulo parecia um pimentão de tão vermelho, pulando, quando olhou para Ele que, tranquilo, permanecia sentado no sofá com um sorriso mais que maroto nos lábios.

 

FIM