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Classicismo
Classicismo

 

               O nascimento de Vênus, de Botticelli, c. 1485

 

O Renascimento foi um importante movimento de renovação científica e cultural ocorrido na Europa durante os séculos XV e XVI.  Com ele, iniciou-se a era moderna.

 

O homem no centro do universo

A base do Renascimento encontra-se no crescimento gradativo da burguesia comercial e das atividades econômicas entre as cidades europeias, o que acabou estimulando a vida urbana.

O aperfeiçoamento da imprensa facilitou a difusão de novas ideias, contribuindo para o enriquecimento do ambiente cultural. As expedições oceânicas, por sua vez, alargaram a visão do homem europeu, pondo-o em contato com povos de culturas diferentes.  O desenvolvimento da matemática e do método experimental propiciou o surgimento das bases da ciência moderna.

Graças aos humanistas, numerosas obras gregas e latinas, de assunto literário, filosófico e científico, foram traduzidas e difundidas.  O pensamento da época nutria-se da filosofia grega, e as obras de arte eram cada vez mais patrocinadas pela rica burguesia.  O estudo sistemático das línguas desenvolveu-se bastante, surgindo as primeiras gramáticas das línguas modernas.

Um exemplo da revalorização dos pensadores antigos é este depoimento de Maquiavel (1469-1527), autor de O príncipe, o livro de filosofia política mais importante do Renascimento.  Neste trecho, Maquiavel fala do prazer que sente em ler e estudar os autores antigos:

“Caída a noite, volto para casa. Penetro em meu gabinete e, já na                     soleira da porta, tiro a roupa usada de todos os dias, coberta de lama e de lodo, para vestir-me com os hábitos da Corte real e pontifícia; assim dignamente ataviado, penetro nos antigos recintos dos homens da Antiguidade.  Acolhido com afabilidade por eles, sacio-me com o alimento que é por excelência o meu, e para o qual nasci.  Nesse encontro, não sinto vergonha alguma em falar com eles, em interroga-los acerca dos móveis de suas ações; e eles, em virtude da sua humanidade, me respondem. E assim, pelo espaço de quatro horas, não sinto o menor aborrecimento, esqueço todos os tormentos, deixo de temer a pobreza, e a própria morte não me atemoriza mais.”

Por outro lado, os artistas – pintores, escultores, arquitetos – inspiravam-se nas obras dos antigos gregos e romanos, que se transformaram em modelos. Por isso mesmo, dizia-se que a gloriosa arte antiga estava renascendo.

Todas essas atividades resultaram na formação de um clima intelectual otimista e confiante na força do ser humano, que é visto como o centro do universo, “a medida de todas as coisas”.

O Renascimento começou em Florença, na Itália, em meados do século XV e foi adquirindo aspectos diferentes à medida que se difundia pela Europa. No entanto, manifesta sempre uma característica comum: a ruptura, em maior ou menor grau, com o forte teocentrismo da Idade Média.

O cristianismo, evidentemente, continua imperando, mas o homem renascentista já não parece viver tão angustiado com as questões religiosas quanto vivera o homem medieval.

Uma época de crises religiosas

O século XVI foi m arcado por dois movimentos religiosos que tiveram funda repercussão social e cultural: a Reforma protestante, liderada por Lutero, na Alemanha, e a Reforma católica, também chamada Contra Reforma, movimento de reação da Igreja de Roma.

Martinho Lutero (1483-1546) traduziu a Bíblia para o alemão e dedicou-se a organizar o novo culto religioso, promovendo alterações importantes: permissão de casamento para os padres; abolição dos sacramentos, com exceção do batismo e da eucaristia; uso da língua alemã nos ofícios religiosos em lugar do latim. O ponto central da doutrina de Lutero reside na “salvação pela fé”, incentivando-se os fiéis à leitura direta do Evangelho. O protestantismo expandiu-se sobretudo na Alemanha, Inglaterra, Holanda, Suíça e mais tarde, em colônias inglesas da América do Norte.

A reação católica às ideias de Lutero não se fez esperar, e a Igreja aumentou a vigilância sobre os fiéis.  De 1545 a 1563, realizou-se o Concílio de Trento, em que a Igreja adotou medidas para conter o protestantismo.  Reafirmou-se a autoridade papal (que Lutero tinha desconsiderado), os protestantes foram perseguidos e aumentou a vigilância sobre os livros, com a publicação de uma lista de obras proibidas (Index librorum prohibitorum).

Vários cientistas, como Galileu Galilei, sofreram perseguições, e outros, como Giordano Bruno, foram condenados e mortos pela Inquisição por defenderem  ideias consideradas heréticas pela Igreja Católica.

A ação da Inquisição na Espanha foi particularmente violenta.  Ela iniciou suas atividades em setembro de 1480, na cidade de Sevilha, e, oficialmente, só foi extinta em 1834.  Nesse período, executou cerca de 14 mil pessoas.  Em Portugal, a Inquisição vigorou oficialmente de 1536 a 1821, tendo executado 1175 pessoas.  No Brasil, o auge de perseguições da Inquisição ocorreu na primeira metade do século XVIII.  A maior parte dos prisioneiros dessa época composta de cristãos-novos (judeus convertidos ao catolicismo), acusados de praticarem às ocultas o judaísmo.  Aproximadamente quinhentos cristãos-novos, entre homens e mulheres, foram levados para as prisões da Inquisição em Lisboa.  Vários morreram.

As artes no Renascimento

A produção artística nesse período foi excepcional.  Ao lado das histórias bíblicas, que continuaram a ser muito representadas, as histórias da mitologia grega e romana entraram na moda e passaram a ser usadas como motivos estéticos, sendo temas de quadros, esculturas, decoração de tetos e paredes, artesanato, etc.

 

O CLASSICISMO LITERÁRIO

A imitação dos modelos greco-romanos da Antiguidade está na base da renovação literária surgida no Renascimento e que tomou o nome de  Classicismo.  Como nas outras artes, também na literatura isso não significava copiar, mas sim recriar.

A partir da técnica – arte – adquirida no estudo dos clássicos, os escritores renascentistas usavam seu talento pessoal – engenho – para criar suas próprias obras.  Dos antigos, retomaram a ideia de que a arte deve fundamentar-se na razão, que controla a expressão das emoções.  Por isso, buscavam o equilíbrio entre os sentimentos e a razão, procurando assim alcançar uma representação universal da realidade e desprezando o que fosse puramente ocasional ou particular.

Muitas palavras latinas são, então, incorporadas à língua literária, que se torna mais rica e sutil.  O soneto, criado no século XIII, torna-se a forma poética mais usada (e assim continuará até o início do século XX).  Algumas composições literárias medievais, como o auto, são abandonadas, preferindo-se a comédia e a tragédia segundo os modelos gregos.

O Classicismo em Portugal

Como início do Classicismo em Portugal costuma-se indicar o ano de 1527, que assinala o regresso do escritor Sá de Miranda de uma viagem feita à Itália, de onde trouxe as ideias de renovação literária a as novas formas de composição poética, como o soneto.  Era o chamado estilo novo que entrava em Portugal.  Como término, indica-se o ano de 1580, que marca a morte de Luís de Camões, o escritor português mais importante do século XVI.

Ao lado dessa nova tendência literária, sofisticada e erudita, ainda é muito forte a presença das formas literárias populares, de raízes medievais. E não é raro que a obra de um mesmo autor revele esses dois aspectos, o tradicional e o novo, o popular e o erudito.  Exemplo disso é a obra poética de Luís de Camões, o maior nome do Classicismo em Portugal.