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As Poéticas Clássicas e a Perspectiva Romântica
As Poéticas Clássicas e a Perspectiva Romântica

 

As Poéticas Clássicas e a Perspectiva Romântica

RETÓRICA, PÓETICA E ESTÉTICA: UM PERCURSO

 

Nosso percurso tem início há mais de dois mil anos, quando foram estabelecidos os fundamentos das Poéticas Clássicas e como eles influenciaram a arte e a literatura no Ocidente. Em seguida, estudaremos como se formou, na era moderna, uma visão romântica  anticlássica, subjetivista e idealizadora.

 

 

Em seu sentido clássico, o termo poética denomina o ramo da Filosofia que trata da poesia.

Embora se encontrem reflexões sobre a poesia na República, um dos diálogos escritos por Platão no qual Sócrates é o personagem principal, costuma-se tomar a Arte Poética de Aristóteles como primeiro estudo dedicado a essa disciplina. A Epístola aos Pisões ou Arte Poética, de Horácio, escrita em I a. C.insere-se na linhagem das reflexões acerca da poesia, atribuindo-lhe a função de “Educar com prazer”.

Datam do século III d. C. estudos poética de contidos em Sobre o sublime, cuja autoria é atribuída a Longino e em fragmentos da obra de Plotino. Na idade média, a poética e a Retórica, disciplina voltada para o estudo da Oratória, mesclam-se e as tênues fronteiras entre esses dois ramos do conhecimento humanista ficam imperceptíveis, além disso, inicia-se um estudo de técnica poética que se desvincula totalmente do pensamento clássico acerca da poesia.

 

 

Entre os séculos XV e XVIII, período que se alonga do Renascimento ao Neoclassicismo, a Poética experimenta um novo apogeu, retoma a autonomia diante da Retórica e assume o centro dos estudos literários.

 

 

No entanto, já no século XVIII, esse espaço vai ser compartilhado com a Estética, disciplina surgida em 1750, com a obra de Alexander Baungartem a ela dedicada. Ao longo desse século, a estética acabou por substituir a Poética como disciplina chave no estudo da Literatura.

 

POÉTICA E CENSURA NA REPÚBLICA: SÓCRATES E A POESIA

Você já leu “A República”, escrito por Platão? Conheça um pouco sobre esta obra:

O diálogo intitulado A República, escrito por Platão, é um texto de difícil classificação que pode ser lido por diferentes ângulos: filosófico, político, epistemológico, literário, entre outros. Dadas a complexidade e a genialidade desse texto, ele tem servido de estímulo à reflexão ao longo dos séculos e pode ser considerado uma das bases do pensamento ocidental.

Os estudiosos da obra de Platão consideram que A República é uma de suas mais influentes obras.  Nesse diálogo, Sócrates discute com outros convivas o sentido do termo justiça e, para desenvolver a argumentação, decide criar um mundo ideal, já que, segundo ele, não se poderia falar desse tema tendo como referência o mundo em que vivia. O título do diálogo advém dessa comunidade ideal projetada por ele. Sócrates, mestre de Platão, é o personagem principal.

 

É importante notar que pouco sabemos sobre o quanto dos ensinamentos socráticos se faz presente nos diálogos de Platão, pois é óbvio que as ideias do discípulo misturam-se às do mestre na criação que tem lugar nesse texto. Por esse motivo existe uma tendência a ler esse texto como um discurso ficcional de feição filosófica.

 

Como já dissemos, esse texto nos interessa por seu caráter inaugural, como texto fundador de uma longa linhagem de reflexões sobre as formas e funções do texto literário que veio culminar com o surgimento da Teoria da Literatura no início do século XX. Nossos pontos de interesse na República são na verdade, interrelacionados: a perspectiva utilitária da arte, a censura, a expulsão do poeta e a ideia de arte como falsidade.

 

 

 

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Sócrates

Nos livros II e III, Sócrates conversa com o personagem Adimanto sobre as histórias apropriadas à formação dos cidadãos na República e dedica-se a pensar “A Educação pela Ginástica e a música”, conforme ele mesmo esclarece, a literatura está incluída na “música”. É preciso lembrar que a produção daquele tempo se fazia em versos e era geralmente acompanhada por instrumentos e cantos. Mais tarde, Aristóteles revelará que os escritos em prosa, embora existissem, não tinham ainda uma classificação.

No livro III, ele também desenvolve uma preleção sobre as formas de narração nos diferentes gêneros poéticos, a imitação, o estilo simples, o estilo múltiplo e a harmonia, sempre com o mesmo viés, bastante impositivo e moralizante. Nas concepções apresentadas nesses dois livros, podemos perceber um tom bastante autoritário, que se revela no emprego do modo imperativo e nos vocábulos usados, como veremos a seguir.

Além destes dois textos que você acabou de ler, existem mais dois de Sócrates, veja:

Visão prescritiva: imposição aos poetas.

 

 Ainda sob a mesma perspectiva moralizante e controladora, Sócrates continua seu diálogo com Adimanto e, além de falar da necessidade de impor essa temática aos poetas, também condena como ímpios aqueles que não escrevem de acordo com seus ditames, como podemos observar no fragmento a seguir:

Pelo contrário, se há meio de persuadi-los de que jamais houve cidadão algum que se tivesse inimizado com outro e de que é um crime fazer tal coisa, esse e não outro, é o gênero de histórias que anciãos e anciãs deverão contar-lhes desde o berço; e, quando crescerem, será preciso ordenar aos poetas que componham suas fábulas dentro do mesmo espírito.

 

“Mas se queremos que uma cidade se desenvolva em boa ordem, é preciso impedir por todos os meios que nela se atribua à divindade, que é boa, a autoria dos males sofridos por mortal, e que narrações de tal espécie sejam escutadas por moços e por velhos, estejam elas escritas em versos ou em prosa. Pois quem conta tais lendas profere coisas ímpias, inconvenientes e contraditórias entre si.

Não devemos concluir, pois, que todos os poetas, a começar por Homero, são imitadores de imagens da virtude e das demais coisas sobre que compõem seus poemas; quanto à verdade, porém jamais a alcançam? [...] Volve tua atenção para isto: o imitador ou fabricante de imagens nada entende do verdadeiro ser, apenas do aparente, não é assim? ³

Esse conjunto de ideias desenvolvido ao longo do texto vai culminar no Livro X, o mais acusador e acirrado em relação à Poesia mimética, à expulsão do poeta da República.

³Ibidem, PP.379, 387 e 388

Note-se, porém, que nem todos os poetas serão expurgados aqui. A condenação socrática focaliza os poetas tradicionais, que “falseiam o real” pela imitação destorcida e mentirosa, em oposição aos poetas filósofos, que imita de forma ordenada e racional, buscando a maior aproximação possível com o real.

Aristóteles, no entanto, reabilitará o poeta mimético, ao considerar a imitação o constituinte fundamental da arte literária, que é concebida por ele como criação e em sua perspectiva deixará o jugo do real imposto por Sócrates.

 

 

ARISTÓTELES E A ARTE POÉTICA

 

“Aristóteles plantou os pés na terra e olhou para as coisas”

SUASSUNA, Ariano. Introdução à Estética. 5. ed. Recife, Editora Universitária da UFPE, 2002. p.54.

A poética de Aristóteles, embora tenha sido escrita mais de cinco séculos antes de Cristo, só foi conhecida efetivamente a partir de 1498, quando veio à público sua primeira edição latina. Daí em diante, sua influência sobre a criação e a crítica literária foi bastante abrangente, tendo sido alvo de diferentes interpretações.

Em alguns momentos, foi tomada como um manual prescritivo, cujas regras deveriam ser seguidas, mas hoje predomina a tendência a “encarar isoladamente certos conceitos aristotélicos como  fonte estimulante para novas observações e novas reflexões sobre o fenômeno artístico”.¹

¹ARISTÓTELES, HORÁCIO & LONGINO. A Poética clássica. Intr. Roberto de Oliveira Brandão. Trad. Jaime Bruna. 3. ed. São Paulo, Cultrix, 1988. p. 2.

 

Como muito bem sintetiza Ariano Suassuna no texto em epígrafe, Aristóteles analisou objetivamente o mundo, refletindo sobre os mais variados aspectos do conhecimento. Suas descrições  e conceituações são via de regra precisas e detalhadas. Quando se debruça sobre os textos literários em circulação no momento em que vivia, o tratamento não é diferente.

 

Desde o início da Poética, notamos o tom didático que predomina no texto, visível no movimento de organizar as ideias, apresentar conceitos e classificar os textos.

O parágrafo inicial é um perfeito exemplo de introdução, pois apresenta toda a organização das ideias apresentadas a seguir:

 “Falemos da natureza e espécies da poesia, do condão de cada uma, de como se hão de compor as fábulas para o bom êxito do poema; depois, do número e natureza das partes e bem assim das demais matérias dessa pesquisa, começando, como manda a natureza, pelas noções mais elementares.”

Todas as citações foram retiradas da edição da Poética disponibilizada em:  

 

Ao lado desse caráter descritivo e minucioso, os textos de Aristóteles apresentam forte carga valorativa, característica muito destacada nos períodos em que o texto foi lido como um conjunto de prescrições. Como exemplo desse modo de pensar, podemos citar a passagem:

 

“Surgidas a tragédia e a comédia, os autores, segundo a inclinação natural, pendiam para esta ou aquela; uns tornaram-se em lugar de jâmbicos, comediógrafos; outros, em lugar de épicos, trágicos, por serem estes gêneros superiores àqueles e mais estimados.”

 

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Observando a articulação do discurso encontramos um intenso uso de imperativos que sustenta as leituras do texto enquanto conjunto de prescrições. Nota-se isso, por exemplo, no seguinte trecho:  “Deve-se sempre procurar a verossimilhança e a necessidade. O irracional não deve entrar no desenvolvimento dramático, mas se entrar, que seja unicamente fora da ação.”

Aristóteles parte da definição de poesia como imitação, para analisar as espécies de poesia imitativa – ou seja, a Epopeia, a Tragédia e a Comédia, classificando-as segundo os meios, os objetos e os modos  da imitação. O quadro abaixo sintetiza a classificação apresentada pelo filósofo:

 

 

Agora que já conhecemos um pouco da poética de Aristóteles, vamos fazer uma comparação entre suas ideias e aquelas emitidas por Platão/ Sócrates na República. O quadro a seguir sintetiza as diferenças de pressupostos entre esses pensadores:

 

 

A POÉTICA DE HORÁCIO

 

Horácio enviou a Carta aos pisões (Epistula ad Pisones), também conhecida como Arte Poética (Ars Poetica), ao cônsul romano Lúcio Pisão e seus filhos, também literatos. Em sua missiva, o poeta latino formula princípios para a construção poética e dá sugestões de ordem prática para escritores. Nesse texto, o poeta apresenta suas reflexões sobre a composição artística, tema que já havia abordado em seis poemas compostos anteriormente.

É na Arte Poética, no entanto, que se apresentam depuradas e amadurecidas suas concepções. Para BRANDÃO, um importante eixo do pensamento horaciano é a ideia de que “A obra é regida por leis que podem ser formuladas”.¹

O texto é, por isso mesmo, bastante pragmático e foi traduzido com certo radicalismo em tratados de poética difundidos nas diferentes “ondas” clássicas que marcam a história da arte ocidental a partir do fim da Idade Média.

¹ARISTÓTELES, HORÁCIO & LONGINO. A Poética clássica. Intr. Roberto de Oliveira Brandão. Trad. Jaime Bruna. 3. ed. São Paulo, Cultrix, 1988. p. 7.

 

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Horácio toma como referência a pintura para pensar a poesia, o que fica bem claro numa expressão do texto que se tornou célebre: “Ut pictura, poiesis”¹.

Podemos assim sintetizar os princípios que ele formula para que seja atingida a perfeição artística:

Fatores estruturantes da obra: ordem e unidade.

Meios pelos quais o poeta realiza seu objetivo: razão, trabalho e disciplina.

¹“Poesia é como pintura.”  - tradução de Jaime Bruna em: ARISTÓTELES, HORÁCIO & LONGINO. A Poética clássica. Intr. Roberto de Oliveira Brandão. Trad. Jaime Bruna. 3. ed. São Paulo, Cultrix, 1988. p. 65.

Desde o início do texto, para rejeitar as obras que ultrapassam a lógica cotidiana e enveredam pelo absurdo, compara a escrita à pintura:

“Suponhamos que um pintor entendesse de ligar a uma cabeça humana um pescoço de cavalo, ajuntar membros de toda procedência e cobri-los de penas variegada, de sorte que a figura, de uma mulher formosa em cima, acabasse num hediondo peixe preto; entrados para ver o quadro, meus amigos, vocês conteriam o riso? Creiam-me Pisões, bem parecido com um quadro assim seria um livro onde se fantasiassem formas sem consistência, quais sonhos de enfermo, de maneira que o pé e a cabeça não se combinassem num ser uno.”

Verificamos aí um claro traço da ênfase na racionalidade que marca o texto, sintetizada na frase: “Princípio e fonte da arte de escrever é o bom senso”.

Outro aspecto importante na obra é o fato de que a visão clássica horaciana não deixa espaço para o improviso, para ele a perfeição só pode ser obtida pelo trabalho conjugado ao domínio técnico e à racionalidade que disciplina a experiência criadora.

No entanto, valoriza também a inspiração (ou “natureza”), quando afirma:

“Já se perguntou se o que faz digno de louvor um poema é a natureza ou a arte. Eu por mim não vejo o que adianta, sem uma veia rica, o esforço, nem, sem cultivo, o gênio; assim, um pede ajuda ao outro, numa conspiração amistosa. "

É inegável que a Arte Poética de Horácio constituiu um cânone, um modelo para a criação poética ocidental, tendo sido objeto de estudo para inúmeros escritores. O prestígio desse texto foi incomparável, pois, embora nem sempre seus preceitos fossem inteiramente integralmente seguidos, influenciou diversos estilos literários, principalmente até o advento do romantismo.

Podemos citar como prova dessa influência de Horácio na criação literária o fato de que algumas expressões cunhadas por ele, como carpe diem (aproveite o dia) e aurea mediocritas (mediocridade dourada) terem se tornado, mais que valores, temas artísticos para variadas gerações. Como já dissemos, a influência das poéticas clássicas sobre a produção artística ocidental, a partir de sua redescoberta no período renascentista, foi imensa.

Segundo Vitor Manuel da Aguiar e Silva¹, os traços dessas realizações artísticas de inspiração clássica – do Renascimento ao Neoclássico - podem ser assim sintetizados:

Racionalismo: razão (entidade imutável) = bom-senso (exclui fantasia, imaginação);

Verossimilhança: objetiva não o real concreto, mas o que pode acontecer (exclui insólito, anormal, imaginário, maravilhoso)

Imitação da natureza: não cópia detalhista e minuciosa,mas imitação idealizada que escolhe e acentua aspectos característicos e essenciais do modelo (exclui grosseiro, hediondo, vil e monstruosos);

Obediência às regras analisadas e justificadas pela razão. Cada forma literária e cada gênero possui regras específicas (conteúdo, estrutura, estilo). Exemplo: regra das três unidades dramáticas

(espaço/tempo/ação);

Imitação de autores greco-latinos: imitar os que imitam com perfeição a natureza (Herança renascentista). Perigo: rigidez e artificialismo;

Conveniências: Interna: coerência e harmonia interna da obra;

Externa: adequação à moral vigente, ao gosto, sensibilidade e costumes do público;

O movimento romântico surgido no século XVIII na Europa é essencialmente contraditório. De um lado, segundo Arnold Hauser, como continuidade do processo de emancipação da burguesia, é expressão de um “entusiasmo plebeu”, contrapondo-se ao “intelectualismo delicado e discreto” das classes superiores. De outro, representa uma reação dessas classes superiores ao racionalismo neoclássico que o precedeu. Para compreender a estética do período que abordaremos agora, é importante entendermos que há uma discronia (diferença temporal) entre a história literária europeia e a brasileira. Isso fica claro quando observamos as datas das principais publicações românticas lá e aqui:

 

Romantismo na Europa Século XVIII 1742 1789 1820 Romantismo Romantismo Alemanha e França Inglaterra BRASIL Arcadismo (2ª. Fase)1ª. Geração 2ª. Geração 3ª. Geração Pré-romantismo 1808 1822 1836 1846 1853 1857 1870 1881 Como podemos perceber, o Romantismo chega ao Brasil quase cinquenta anos após o início do movimento na Europa. As gerações que se sucedem aqui são influenciadas por diferentes autores europeus, mas, em geral, o Romantismo, tanto na Europa, como aqui, é anticlássico por princípio. Isso significa que, embora possamos encontrar muitas distinções entre os diferentes romantismos, os artistas desse momento compartilham um sentimento de rejeição ao Cantos e Inocência Willian Blake 1790 – Baladas Líricas Wordsworth Vitor Hugo – Do Grotesco e do Sublime. Pré-Romantismo Inglaterra Night Thougths (Young) Independência Suspiros Poéticos Saudades Gonçalves Magalhães Revista Nictheroy Poesias de Álvares de Azevedo Primeiro Cantos Gonçalves Dias Espumas Flutuantes Castro Alves Memórias Póstumas de Brás Cubas Machado de Assis O Guarany José de Alencar Realismo Parnasianismo Naturalismo mundo aristocrático governado por regras, visão fortalecida pela crescente importância atribuída ao indivíduo. O início dessa rebelião anticlássica ocorreu na Alemanha, com o movimento Sturm und Drang, oposto ao racionalismo ilustrado da monarquia, antecipando a rebelião romântica encontrou no sentimentalismo e na busca por extremos emocionais suas formas de expressão.

 

As formas da cantiga medieval: de amor, de amigo, de escárnio e de maldizer.

A sensibilidade romântica renovou o conceito de beleza, tornada dinâmica e contraditória. Eles modificaram a relação clássica entre Beleza e Verdade. Para os pensadores gregos, a Verdade produz a Beleza, enquanto para os românticos a Beleza produz a Verdade. Com essa ideia em mente dedicaram-se à criação de uma nova mitologia cuja função seria a “completa liberação do espírito humano”. ECO, Umberto (ed.) History of Beauty. New York, Rizzoli International Publications, 2010. Pp. 299-325.

Friedrich Schlegel, nos seus Diálogos sobre a poesia II, apresenta o ideário idealista romântico proposto nessa nova mitologia:

“A única coisa que lhe peço é não duvidar da possibilidade de uma nova mitologia [...] Se é verdade que uma nova mitologia pode erguer-se, somente com suas formas, das remotas profundezas da alma, o idealismo – o maior fenômeno de nossa época – oferece a nós uma direção altamente significativa e uma prova extraordinária daquilo que estamos buscando.

Foi assim precisamente que o idealismo nasceu, como se fosse do nada, é agora, mesmo no mundo do espírito, ele constitui uma referência, uma vez que a energia humana espalhou-se em todas as direções e progressivamente desenvolveu-se, certamente ela não perderá a si mesma nem ao caminho de volta.”