Translate to English Translate to Spanish Translate to French Translate to German Translate to Italian Translate to Russian Translate to Chinese Translate to Japanese




ONLINE
14





                                              

                            

 

 

 


A Pesquisa Sociolinguística
A Pesquisa Sociolinguística

 

A PESQUISA SOCIOLINGUÍSTICA.

O sociolinguista busca demonstrar que a variação é sistemática e previsível.

             A pesquisa sociolinguística tem como objeto de estudo o uso da língua falada em situações naturais de comunicação.

             Faz-se uma pesquisa que busca observar o uso.

             Assim: uso ǂ prescrição (Gramática Normativa)

  • Se temos ‘comunidades de fala’, temos variação dentro de uma língua.

 

 

A NOÇÃO DE COMUNIDADE DE FALA

“O indivíduo, inserido numa comunidade de fala, partilha com os membros dessa comunidade uma série de experiências e atividades. Daí resultam várias semelhanças entre o modo como ele fala a língua e o modo dos outros indivíduos. Nas comunidades organizam-se grupamentos de indivíduos constituídos por traços comuns, a exemplo de religião, lazeres, trabalho, faixa etária, escolaridade, profissão e sexo. Dependendo do número de traços que as pessoas compartilham, e da intensidade da convivência, podem constituir-se subcomunidades linguísticas, a exemplo dos jornalistas, professores, profissionais da informática, pregadores e estudantes.”

         (VOTRE, S. & CEZARIO, M. Sociolinguística. In: MARTELOTTA, E. (org.) Manual de linguística. São Paulo: Contexto, 2009)

 

No processo de variação linguística, podemos perceber que algumas variantes são mais aceitas que outras. Além disso, é preciso considerar as variáveis linguísticas e extralinguísticas relevantes para descrever o fenômeno que se está estudando. Mas afinal, o que é variante linguística? E variável?

 

Teça comentários sobre o conceito de variação linguística a partir do texto abaixo.

As MARIPOSA

“As mariposa quando chega o frio

Fica dando vorta em vorta da lâmpida pra si isquentá

Elas roda, roda, dispois si senta

Em cima do prato da lâmpida prá discansá.

Eu sou a lâmpida

E as muié é as mariposa

Que fica dando vorta em vorta de mim

Todas as noites, só pra mi beijá.

Boa noite, lâmpida!

Boa noite, mariposa!

Pelmita-me oscular-lhe as alfácias ?

Pois não, mas rápido porque daqui a pouco eles mi apaga.”

(BARBOSA, Adoniran.  Demônios da garoa – trem das onze.  Chantecler, CMG – 2294 – 2,1964).

 

O poema retrata usos de uma variedade de uso da língua portuguesa: a variedade não padrão. Apesar de formas diferentes das apresentadas pelo português-padrão, não há dificuldades para a compreensão do texto.

 

As Noções de Variável e de Variante

O objetivo da Sociolinguística é estudar a língua em seu contexto social, isto é, em situações reais de uso. Utiliza-se, portanto, como ponto de partida, os dados obtidos da fala de indivíduos que pertencem a uma comunidade linguística (ou comunidade de fala).

 

Ocê...

Você...

Ei ...

Ao analisarmos uma comunidade linguística, podemos perceber a existência de diferentes modos de falar, ou seja, há variedades linguísticas. Por trás do “caos linguístico”, é possível identificar regularidade e sistematicidade na variação.

O que é um sociolinguista?

Como a Sociolinguística preocupa-se em investigar a relação entre língua e sociedade, a análise da fala de um indivíduo permite-nos identificá-lo. Assim, diferenciamos cada comunidade e refletimos sobre a inserção do indivíduo em diferentes grupamentos, estratos sociais, faixas etárias e níveis de escolaridade.

 

 

Vamos ilustrar o conceito de variante e de variável linguística com a variação nos pronomes pessoais na primeira pessoa do plural, exemplo citado em Cezario e Votre (2009):

 

“A gente fala muito.”; “Nós falamos muito.”

Estou escrevendo um texto, mas estou em dúvida de qual texto deixar.

O que você está fazendo?

“Nós” e “a gente” são formas utilizadas pelos falantes da Língua Portuguesa e aceitas pelas pessoas em geral. É possível pensar que, em uma situação comunicativa, produzir “nós falamos” possa ser considerado mais formal do que “a gente fala”, mais informal. Temos, portanto, duas variantes para a utilização do pronome.

 

Uma pesquisa sociolinguística sobre o assunto teria como foco investigar em que contexto social um indivíduo escolheria produzir uma forma e não outra, se há diferenças nos usos de “nós” e de “a gente” na fala de adultos, jovens e crianças, se indivíduos analfabetos e escolarizados produzem mais uma forma do que outra, se a diferença relaciona-se ao nível socioeconômico do indivíduo etc.

 

O conjunto de variantes linguísticas é denominado “grupo de fatores” ou “variável linguística”. Podemos ter variáveis linguísticas e extralinguísticas. As primeiras referem-se às motivações linguísticas para que certa variante seja utilizada (por exemplo, verbos que motivem o uso de “a gente” em lugar de “nós”).

Pode-se dizer que são as motivações internas à língua (fatores fonológicos, morfológicos, sintáticos etc.). As segundas referem-se a aspectos relacionados ao indivíduo que produziu a variante, tais como: sexo, idade, escolaridade, classe social a que pertence, grau de formalidade da situação comunicativa, região em que vive etc.

A gente fala?

Nós falamos!

A gente falamos? Ou nós fala?

Além de “a gente fala” e “nós falamos”, poderíamos pensar em outras possibilidades também muito frequentes: “a gente falamos” e “nós fala”. Essas duas variantes são consideradas mais estigmatizadas, ou seja, ao produzir uma dessas duas formas, o indivíduo pode sofrer algum tipo de preconceito. O importante, para o sociolinguista, é identificar o que motiva o fenômeno da variação.

 

Importante! Veja como representar uma variável e uma variante, tendo como base a questão da concordância, fenômeno em variação no Português Brasileiro.

Quando a variável indica o fenômeno em variação, ela aparece entre parênteses angulares (<>). Assim, no caso da marcação de plural do sintagma nominal, em Língua Portuguesa, a variável seria . No entanto, as formas linguísticas em variação são representadas por colchetes ([ ]). No caso da marcação de plural do sintagma nominal, as variantes são [s] e [Ø] (as casas amarelas/as casaØ amarelaØ).

Como a Sociolinguística preocupa-se em investigar a relação entre língua e sociedade, a análise da fala de um indivíduo permite-nos identificá-lo. Assim, diferenciamos cada comunidade e refletimos sobre a inserção do indivíduo em diferentes grupamentos, estratos sociais, faixas etárias e níveis de escolaridade: “O indivíduo, inserido numa comunidade de fala, partilha com os membros dessa comunidade uma série de experiências e atividades. Daí resultam várias semelhanças entre o modo como ele fala a língua e o modo dos outros indivíduos.

Nas comunidades organizam-se grupamentos de indivíduos constituídos por traços comuns, a exemplo de religião, lazeres, trabalho, faixa etária, escolaridade, profissão e sexo. Dependendo do número de traços que as pessoas compartilham, e da intensidade da convivência, podem constituir-se subcomunidades linguísticas, a exemplo dos jornalistas, professores, profissionais da informática, pregadores e estudantes.” (VOTRE, S.; CEZARIO, M. Sociolinguística. In: MARTELOTTA, E. (Org.) Manual de linguística. São Paulo: Contexto, 2009).

 

Podemos, assim, ilustrar a relação entre língua e aspectos sociais com a diferença na fala de homens e mulheres. O modo como homens e mulheres usam a língua vai depender dos papéis desempenhados por esses elementos na sociedade. Em zulu, uma língua falada na África, a mulher é proibida de pronunciar algumas palavras (nome do genro, por exemplo, e palavras que apresentem semelhança fônica com o nome do genro).

 

“Umánzi” (nome do genro) E “mánzi” (“água”).

“Esta é a minha mulher”

“Este é o meu homem”

Em português, embora o marido possa dizer “Esta é a minha mulher”, não é possível que a mulher produza “Este é o meu homem”, pois em determinados contextos, esse enunciado soa vulgar. (VOTRE; CEZARIO, 2009, p. 149).

O objeto de estudo da pesquisa sociolinguística* é a língua falada em situações reais de comunicação. Busca-se, a partir da análise da fala espontânea, descrever e explicar o modo como o falante faz uso da língua.

SOCIOLINGUÍSTICA

O sociolinguista busca demonstrar que a variação é sistemática e

previsível. A pesquisa sociolinguística tem como objeto de estudo o

uso da língua falada em situações naturais de comunicação. É

realizada a partir de gravações de um número determinado de

informantes com características específicas. Para se investigar a

variação e a mudança, dados de língua escrita também podem ser

utilizados. As análises têm como ponto de partida os dados

estatísticos obtidos na língua falada. A pesquisa pode ser feita em

tempo real (o linguista observa o fenômeno em duas ou mais épocas,

a partir da comparação de entrevistas atuais com entrevistas antigas,

por exemplo, para verificar se duas formas estão em variação ou se

são um caso de mudança) ou em tempo aparente (o linguista grava

amostras de informantes de diferentes faixas etárias para observar

se uma forma ocorre mais na fala de crianças e jovens do que na de adultos e idosos).

 

 

Fenômenos Linguísticos em Variação no Português Brasileiro

“Você viu a Cráudia?”

“Eu vi ela na lojinha da esquina, consertano uma rôpa.”

“Será que ela vai trazê os livro novo que pedi?”

“Não sei. É melhor esperar ela.”

A análise do diálogo apresentado nos permite verificar os seguintes fenômenos linguísticos em variação no português brasileiro:

a)      Eliminação das marcas de plural redundantes (os livros novos/os livro novo)

b)      Assimilação: transformação do –ndo em –no (consertando > consertano).

c)       Retomada do objeto direto anafórico (Você viu a Cláudia? Sim, eu a vi. Sim, eu vi ela. Sim, eu vi Ø.).

d)      Redução do ditongo OU (roupa > rôpa).

e)      Rotacismo: troca do “l” pelo “r” (Cráudia, Framengo, pranta).

 

Para conhecer a explicação sobre esses fenômenos linguísticos em variação no português brasileiro, leia o livro “A língua de Eulália”, de Marcos Bagno

 

 

Abaixo, reapresentamos o texto da atividade I para que você identifique, nele, alguns fenômenos linguísticos em variação no português brasileiro.

 

As MARIPOSA

“As mariposa quando chega o frio

Fica dando vorta em vorta da lâmpida pra si isquentá

Elas roda, roda, dispois si senta

Em cima do prato da lâmpida prá discansá.

 

 

- Eliminação das marcas de plural redundantes: “as mariposa”, “elas roda”, “as muié”, “eles mi apagá”.

 

- Assimilação: “muié”.

 

- supressão do –r do infinitivo: “apagá”, “discansá”, “isquentá”.

 

- Rotacismo: troca do “l” pelo “r”: “vorta”.

 

 

MAIS UMA PESQUISA: O USO DO CLÍTICO ACUSATIVO (DUARTE, 1989)

a) Uso do clítico acusativo

       Ele veio do Rio só pra me ver. Então eu fui ao aeroporto buscá-lo.

b) Uso do pronome lexical

       Eu amo o seu pai e vou fazer ele feliz.

c) Uso de SNs anafóricos

       Ele vai ver a Dondinha e o pai da Dondinha manda a Dondinha entrar, ele pega um facão...

d) Uso da categoria vazia

       O Sinhozinho Malta está tentando convencer o Zé das Medalhas a matar o Roque... Mas ele é muito medroso. Quem já tentou matar Ø foi o empregado da Porcina. Ontem ele quis matar Ø, a empregada é que salvou Ø.