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A França Contra os Robôs, de Georges Bernanos
A França Contra os Robôs, de Georges Bernanos

HINO À LIBERDADE

 

A FRANÇA CONTRA OS ROBÔS (É Realizações, 256 páginas, tradução de Lara Christina de Malimpensa) do grande escritor e pensador francês Georges Bernanos (1888-1948), originalmente era intitulado Hino à Liberdade. Realmente, o título inicial sintetiza as ideias e reflexões da obra, lançada no Brasil e na França em 1947 e que segue atual por trazer uma crítica visionária do predomínio da técnica sobre a liberdade. Esta nova edição está acompanhada de textos inéditos, correspondência com Virgílio de Mello Franco e Edgar de Godoi da Mata-Machado e entrevistas do autor a órgãos de imprensa do Brasil.

 

Bernanos, homem de fé e paixão, anticonformista e polemista foi jornalista e, com o sucesso de seu primeiro romance SOB O SOL DE SATÃ, de 1926, passou a viver como escritor. Foi chamado de romancista do “realismo sobrenatural” e atacou o conformismo burguês, os conflitos interiores, sem ter medo de ser inimigo de todas as covardias que diminuem as pessoas e das tiranias que o esmagam.

 

Passou o período da II Guerra Mundial no Brasil, defendendo o seu país e pregando a favor da Resistência francesa. Retornou à França em 1948, onde faleceu três anos depois. A FRANÇA CONTRA OS ROBÔS foi escrito no Brasil. Hitler já estava derrotado, mas Bernanos alertava sobre o predomínio da técnica e da eficácia sobre o valor da honra humana.

 

Em 1947, Bernanos já criticava o sistema materialista e mercantil, que pretensamente conduziria à felicidade humana. O culto à velocidade e ao rendimento desenfreado foram analisados por Bernanos, que sempre colocou a liberdade humana acima de tudo. Ele entendia que o perigo não estava na multiplicação das máquinas, mas, sim, no número crescente de homens habituados desde a infância a desejar apenas que as máquinas podem dar.

 

Num mundo altamente informatizado, mas repleto de desigualdades culturais, sociais, políticas e econômicas, cheio de fundamentalismos de várias espécies e violência, a obra de Bernanos, um panfleto visionário destinado a despertar consciências, mostra inacreditável atualidade. O livro convida os leitores a exercerem liberdade, não dependerem tanto de máquinas e robôs e, acima de tudo, a não se tornarem robôs, a serviço de alguns mecanismos nacionais e globais que andam por aí.

 

Fonte: Jornal do Comércio/Livros/Jaime Cimenti (jcimenti@terra.com.br) em 24/06/2018