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A Catástrofe do Sucesso publicado by Joba Tridente
A Catástrofe do Sucesso publicado by Joba Tridente

 http://falasaoacaso.blogspot.com.br/2015/09/tennessee-williams-catastrofe-do-sucesso.html

 

Tennessee Williams: A Catástrofe do Sucesso

Em tempos de celebridades instantâneas, cujo brilho não dura nem 10 minutos Warhol. Em tempos em que a mídia em todo mundo cria astros promissores a cada edição e ou programa de tv..., há um artigo, escrito em 1947, que vem ganhando repercussão na web: A Catástrofe do Sucesso, do dramaturgo norte-americano Tennessee Williams (1911-1983). Este fascinante texto, profundamente reflexivo, trata dos percalços da fama que enredou inesperadamente o mestre Tennessee. Ainda que amargo e melancólico, é de uma beleza imensurável. Após os dados biográficos, o texto original em inglês.

 

A Catástrofe do Sucesso foi publicado pela primeira vez no New York Times - Drama Section, 30 de novembro de 1947, quatro dias antes da estreia de A Streetcar Named Desire.

 


A Catástrofe do Sucesso

Tennessee Williams

tradução de Léo Gilson Ribeiro*

foto de Joba Tridente. 2015

 

Este inverno assinalou o terceiro aniversário da estreia, em Chicago, de A Margem da Vida, um evento que pôs término a uma parte de minha vida e começou outra tão diferente da precedente em todas as circunstâncias externas quanto será fácil imaginar. Fui arrancado de meu quase anonimato e atirado aos píncaros de uma fama repentina e, do precário aluguel de quartos mobiliados em várias regiões do país, fui trasladado para um apartamento de um hotel de primeira classe em Manhattam. Minha experiência não foi única, pois o sucesso muitas vezes já irrompeu, da mesma forma abrupta, na vida de muitos americanos. A história de Cinderela é nosso mito nacional favorito, a pedra fundamental da indústria cinematográfica, senão da própria Democracia. Eu já a vira representada na tela tantas vezes que estava agora inclinado a recebê-la com um bocejo de enfado, não com descrença, mas com a atitude de quem desse de ombros, exclamando: "Que bem me importa!" Qualquer pessoa dotada de dentes e cabelos tão lindos, como a protagonista cinematográfica de tal história, tinha, por força, que se divertir a valer, fosse como fosse. Você podia apostar seu último dólar e todo o chá da China em que aquela estrela nunca seria vista, viva ou morta, em qualquer tipo de reunião que exigisse um mínimo de consciência social.


Não, minha experiência não era excepcional, mas por outro lado não era tampouco comum e caso você esteja disposto a aceitar a tese um tanto eclética de que eu não escrevera tendo em mente tal experiência - e há muita gente não disposta a crer que um dramaturgo possa estar interessado em outra coisa que não seja o sucesso popular – talvez haja certa razão para compararmos estas duas fases de minha vida.


A vida que eu levara antes de atingir esse sucesso de público era do tipo que exigia resistência e tenacidade, que me fazia agarrar-me à superfície cheia de arestas que me feriam e me obrigavam a prender-me firmemente, com unhas e dentes, a cada centímetro de pedra colocado mais alto que o precedente - mas era uma vida substancialmente boa porque era do tipo para o qual o organismo humano é criado.


Eu só me dei conta de quanta energia vital eu despendera naquela luta quando esta cessou. Encontrei-me então num planalto, com meus braços ainda se agitando no ar e meus pulmões sorvendo sofregamente um ar que já não oferecia resistência. Isto era a segurança, afinal.

 

Sentei-me e olhei a meu redor e de repente me senti muito deprimido. Pensei comigo mesmo: não é nada, é só o período de adaptação. Amanhã de manhã, acordarei neste hotel de luxo, pairando sobre o ruído discreto que sobe de um bulevar dos quarteirões elegantes do East Side e então apreciarei seu requinte e mergulharei em seu conforto, consciente de que cheguei ao nosso conceito americano do Olimpo. Amanhã de manhã, quando eu olhar para este sofá de cetim verde, me apaixonarei por ele. É: só agora, temporariamente, que aquele cetim verde me dá a impressão de limo em água estagnada.


Mas na manhã seguinte o sofazinho inofensivo parecia ainda' mais repugnante dó que na noite anterior e eu já começava a engordar demais para usar o terno de 125 dólares que um conhecido elegante escolhera para mim. Na suíte que eu ocupava, objetos começaram a quebrar-se acidentalmente. Um braço saiu - do sofá; Queimaduras· de cigarro apareciam na superfície brilhante dos móveis. Eu deixava as janelas abertas e uma vez uma chuvarada inundou a suíte. Mas a empregada sempre endireitava tudo e a paciência do gerente do hotel era inextinguível. Festas que duravam até de madrugada não o ofendiam seriamente. Só uma bomba de demolição, parecia­-me, podia incomodar meus vizinhos.


Eu recebia minhas refeições no apartamento. Mas até isto também tinha seu quê de desencanto. No tempo que decorria entre o momento em que eu escolhia o jantar pelo telefone e o momento em que ele entrava em meu quarto num carrinho, como um cadáver transportado numa mesa de rodas de borracha, eu perdia todo interesse por ele. Uma vez pedi um bife de filé e um sundae de chocolate, mas tudo estava disfarçado tão habilmente na mesa que confundi a cobertura de chocolate com o molho da carne e a derramei sobre o bife.

 

É claro que tudo isto era só o aspecto mais trivial de um deslocamento espiritual que começou a manifestar-se de formas muito mais perturbadoras. Logo notei que comecei a ficar indiferente às pessoas. Senti-me presa de uma onda de cinismo. As conversas que eu ouvia me pareciam todas gravadas há muitos anos e tocadas de novo num toca-discos. Parecia que a sinceridade e a bondade tinham desaparecido da voz dos meus amigos. Suspeitei que fossem hipócritas. Parei de telefonar-lhes, parei de vê-los. Não tinha mais paciência com o que me parecia ser os sintomas de uma adulação idiota.

 

Fiquei tão saturado de ouvir gente dizer "adorei sua peça!" Que já nem podia mais agradecer. Eu me engasgava com aquelas palavras e virava as costas grosseiramente à pessoa geralmente sincera que as dissera. Já não sentia orgulho pela peça em si, ao contrário, comecei a enjoar dela, talvez porque me sentia demasiado morto por dentro para poder escrever outra. Eu caminhava como um zumbi, um morto conduzido pelos meus próprios pés. Sabia disso mas não contava então com amigos em quem confiasse o suficiente para leva-las para um canto e contar-lhes o que me estava acontecendo.


Esta situação estranha persistiu durante três meses, até quase fins da primavera, quando decidi submeter-me a outra operação na vista, principalmente devido ao pretexto que ela me oferecia de retirar-me do mundo detrás de uma máscara de gaze. Era já minha quarta operação na vista e talvez eu deva explicar que eu sofria há uns cinco anos de uma catarata no olho esquerdo que exigia urna série de operações torturantes e finalmente uma operação no músculo do Olho (ainda tenho esse olho, esclareço).


Bem, a máscara de gaze teve sua serventia. Enquanto eu estava repousando no hospital, os amigos, que abandonara ou insultara de uma forma ou de outra, começaram a visitar-me e agora que eu jazia em meio à escuridão e às dores suas vozes pareciam ter mudado. Ou melhor: aquela mutação desagradável, que eu suspeitara antes, desaparecera no presente e elas soavam agora como sempre nos dias saudosos de minha obscuridade perdida. Novamente eu as reconhecia como sendo vozes sinceras e bondosas, animadas por um tom inconfundível de verdade e pela virtude da compreensão que me fizera busca-las desde o início.

 

No tocante à minha visão física, essa última operação tinha tido resultados só relativamente bons (embora me tivesse deixado com uma pupila aparentemente preta na posição devida ou quase) mas em outro sentido, figurado, da palavra, ela servira a um propósito muito mais profundo.

 

Quando foi retirada a máscara de gaze, encontrei-me readaptado ao mundo. Deixei o apartamento elegante do hotel de luxo, guardei na mala meus papéis e alguns pertences e parti para o México, um país telúrico em que se pode esquecer rapidamente as falsas dignidades e as vaidades impostas pelo sucesso, um país em que vagabundos inocentes como crianças enrolam-se para dormir nas calçadas e as vozes humanas, principalmente quando a linguagem em que falam não é familiar a nossos ouvidos, parecem nos suaves como o gorjeio dos pássaros. Meu "eu" público, aquele artifício de espelhos sobrepostos, não existia aqui, e, portanto, eu voltava a meu "eu" natural.


Depois, como um ato final de restauração espiritual, permaneci durante algum tempo em Chapala, para trabalhar numa peça chamada “A Partida de Pôquer”, que se tornaria mais tarde “Um Bonde Chamado Desejo”. É só no seu trabalho que um artista pode encontrar a realidade e a satisfação, pois o mundo ambiente, real, é menos intenso que o mundo de sua invenção e consequente­mente sua vida, sem recorrer a desordens violentas, não lhe parece muito importante. A condição verdadeira de vida para um artista é aquela em que seu trabalho é não só conveniente mas também inevitável.

 

Para mim, um lugar conveniente para trabalhar é um lugar distante, em meio a estranhos, onde eu possa dar umas braçadas. Mas a vida deve exigir um mínimo de esforço de nossa parte. Você não deve ter gente demais a servi-lo, ao contrário: você devia fazer sozinho a maioria das coisas. O serviço oferecido pelos hotéis é embaraçoso. As empregadas, os garçons, os boys e os porteiros etc. são as pessoas mais embaraçosas do mundo porque continuamente estão a recordar-­nos as iniquidades que nós aceitamos como coisas certas. O quadro de uma velhinha ofegante que carrega com enorme esforço um balde pesado d'água por um corredor de hotel para limpar a imundice de um hóspede bêbado e cheio de privilégios sociais é um quadro que me faz ficar doente e oprime meu coração, fazendo-o murchar de vergonha deste mundo, em que essa situação é não só tolerada mas considerada como a prova dos nove de que o mecanismo da Democracia está funcionando devidamente, sem interferência de cima ou de baixo. Ninguém deveria ter que limpar a imundice de outrem neste mundo. É intoleravelmente horrível para ambas as pessoas mas talvez pior ainda para quem recebe esse tipo de serviço.


Fui tão corrompido quanto qualquer outra pessoa pelo número vastíssimo de serviços humilhantes que nossa sociedade se acostumou a esperar e do qual ela depende. Mas nós devíamos fazer tudo por nós mesmos ou deixar que as máquinas o fizessem por nós, a gloriosa tecnologia que garante ser o facho de luz do mundo futuro. Somos como um homem que comprou uma quantidade enorme de equipa­mento para acampar, que tem a canoa e a barraca, as linhas de pescar e o machado, os fuzis, os lençóis e os cobertores mas que agora, que todos os preparativos e providências estão empilhados, por mão de perito, uns sobre os outros, sente-se de repente demasiado tímido para iniciar a jornada e fica-se onde estava ontem e antes de ontem e antes e antes, olhando com desconfiança, através das cortinas de renda branca, para o céu claro de que se suspeita. Nossa grandiosa tecnologia é uma oportunidade, que Deus nos enviou, para gozarmos da aventura e do progresso que temos medo de arriscar. Nossas ideias e nossos ideais continuam sendo exatamente os mesmos, No mesmo ponto em que os deixamos, três séculos atrás. Não, desculpe! Já ninguém mais se sente seguro bastante para sequer afirma-los!

 

Esta foi uma digressão longa, partida de um tema pequeno para um imenso, que eu não tinha intenção, originalmente, de fazer, por isso voltemos ao que eu estava dizendo antes.


O que venho afirmando é uma simplificação extrema Ninguém escapa assim tão facilmente da sedução de uma maneira de viver sibarítica. Você não pode arbitrariamente dizer a si mesmo, de um momento para o outro: agora vou continuar minha vida como ela era antes de esta coisa, o sucesso, me acontecer. Mas logo que você apreender a vacuidade de uma vida sem lutas, você estará equipado com os meios básicos de salvação. Logo que você souber que isto é verdade, que o coração do ser humano, seu corpo e seu cérebro são forjados numa fornalha de brasas vivas especificamente para o propósito do conflito, do choque (a luta criadora), e que, uma vez desaparecendo esse conflito, o homem é uma mera espadinha de criança, boa para cortar margaridas, que não é a privação mas sim o luxo, o lobo mau, e que os dentes agudos do lobo são formados pelas vaidadezinhas e indolências pequeninas que constituem o legado do Sucesso - então, de posse desta certeza, você está pelo menos apto a saber onde reside o verdadeiro perigo.


Você sabe, então, que o "alguém" público que você é quando "tem um nome" é uma ficção criada por espelhos e que o único alguém digno de você ser é o seu "eu" solitário, não visto pelos demais, que existiu desde a sua primeira respiração e que é a soma de todas as suas ações e, portanto, está sempre num estado de eterno devenir, moldado pela sua própria vontade - sabendo essas coisas, você poderá sobreviver até à catástrofe do Sucesso!

 

Nunca é tarde demais, a menos que você abrace a deusa­-cadela, a Fama, como William James a alcunhou, com os braços abertos e ache em seus abraços sufocantes exatamente aquilo que o menininho inquieto dentro de você, com saudades de casa, queria: proteção absoluta e uma vida sem sacrifício e esforços de espécie alguma. A segurança é uma espécie de morte, creio, e pode atingi-la numa enxurrada de cheques de direitos autorais, junto a uma piscina em forma de rim em Beverly Hills ou em qualquer outro lugar que esteja divorciado das condições que tornaram você um artista, se é isso que você é ou foi ou quis ser. Pergunte a qualquer pessoa que já passou pelo tipo de sucesso de que estou falando. Para que serve? Provavelmente para obter uma resposta honesta, você terá que lhe dar uma injeção de soro da verdade, mas a palavra que ele emitirá finalmente, com um gemido, não pode ser publicada em publicações refinadas.


Então o que nos serve, afinal? O interesse obsessivo pelas vicissitudes humanas, além de uma certa dose de compaixão e de convicção moral, que pela primeira vez tornou a experiência de viver algo que deve ser traduzido em pigmento, música, movimentos corpóreos ou poesia ou prosa ou qualquer coisa dinâmica e expressiva... isso é que lhe será útil se é que você tem objetivos sérios. William Saroyan escreveu uma grande peça sobre esse tema, o de que a pureza de coração é o único sucesso que vale a pena termos. "Durante sua vida - viva!" A vida é curta e não volta nunca mais. Ela está fluindo furtivamente agora, enquanto eu escrevo isto e enquanto você me lê e o pêndulo de relógio, ao oscilar, repete somente:

 

"Nunca-mais, nunca-mais, nunca-mais", a menos que você se lance, de coração, em oposição a ele.

 


                               * 

 

Tennessee Williams (Columbus: 26.03.1911 - Nova York: 25.02.1983) é um dos mais importantes escritores e dramaturgos norte-americanos do século 20. Autor de inúmeras peças de grande sucesso, Tennessee foi merecedor, entre outros prêmios, de dois Pulitzer (1948: A Streetcar Named Desire/Um Bonde Chanado Desejo e 1955: Cat on a Hot Tin Roof/Gata em Teto de Zinco Quente), de um Tony Award (1952: The Rose Tattoo/A Rosa Tatuada). Williams adaptou um grande número de suas peças para o cinema. Há farto material sobre ele na web.

 

* Nas várias postagens de A Catástrofe do Sucesso, na web, até parece que o texto foi traduzido automaticamente. Como sou um chato, vasculhei até encontrar, em um blog, que a tradução seria de Léo Gilson Ribeiro (Varginha: 26.01.1928 - São Paulo: 11.01.2007): jornalista, escritor, ensaísta, crítico literário, tradutor. Autor de Crônicas do Absurdo (1964), recebeu, entre os vários prêmios, o Esso de Jornalismo (1969: A Noite dos Balões) e o da Associação Paulista de Críticos de Arte-APCA (1988: O Continente Submerso). Léo Gilson foi colaborador da revista The Kennyon Review (EUA), Christ und Welt (Alemanha), Lever (Inglaterra), Caros Amigos. Trabalhou no Diário de NotíciasCorreio da ManhãJornal da TardeVeja. Escreveu a peça Balada de Manhattan (Prêmio Governador do Estado, 1971) e traduziu Tennessee Williams e Steven Berkoff.

 

 

On A Streetcar Named Success

by

Tennessee Williams

 

(This essay appeared in The New York Times Drama Section, November 30, 1947 — four days before the New York opening of A Streetcar Named Desire.)

 

Sometime this month I will observe the third anniversary of the Chicago opening of “The Glass Menagerie,” and even which terminated one part of my life and began another about as different in all external circumstances as could be well imagined. I was snatched out of a virtual oblivion and thrust into sudden prominence, and from the precarious tenancy of furnished rooms about the country I was removed to a suite in a first-class Manhattan hotel. My experience was not unique. Success has often come that abruptly into the lives of Americans.

 

No, my experience was not exceptional, but neither was it quite ordinary, and if you are willing to accept the somewhat eclectic proposition that I had not been writing with such an experience in mind–and many people are not willing to believe that a playwright is interested in anything but popular success–there may be some point in comparing the two estates.

 

The sort of life which I had had previous to this popular success was one that required endurance, a life of clawing and scratching along a sheer surface and holding on tight with raw fingers to every inch of rock higher than the one caught hold of before, but it was a good life because it was the sort of life for which the human organism is created.

 

I was not aware of how much vital energy had gone into this struggle until the struggle was removed. I was out on a level plateau with my arms still thrashing and my lungs still grabbing at air that no longer resisted. This was security at last.

 

I sat down and looked about me and was suddenly very depressed. I thought to myself, this is just a period of adjustment. Tomorrow morning I will wake up in this first-class hotel suite above the discreet hum of an East Side boulevard and I will appreciate its elegance and luxuriate in its comforts and know that I have arrived at our American plan of Olympus. Tomorrow morning when I look at the green satin sofa I will fall in love with it. It is only temporarily that the green satin looks like slime on stagnant water.

 

But in the morning the inoffensive little sofa looked more revolting than the night before and I was already getting too fat for the $125 suit which a fashionable acquaintance had selected for me. In the suite things began to break accidentally. An arm came off the sofa. Cigarette burns appeared on the polished surfaces of the furniture. Windows were left open and a rainstorm flooded the suite. But the maid always put it straight and the patience of the management was inexhaustible. Late parties could not offend them seriously. Nothing short of a demolition bomb seemed to bother my neighbors.

 

I lived on room-service. But in this, too, there was a disenchantment. Sometime between the moment when I ordered dinner over the ‘phone and when it was rolled into my living room like a corpse on a rubber-wheeled table, I lost all interest in it. Once I ordered a sirloin steak and a chocolate sundae, but everything was so cunningly disguised on the table that I mistook the chocolate sauce for gravy and poured it over the sirloin steak. Of course all this was the more trivial aspect of a spiritual dislocation that began to manifest itself in far more disturbing ways. I soon found myself becoming indifferent to people. A well of cynicism rose in me. Conversations all sounded like they had been recorded years ago and were being played back on a turntable. Sincerity and kindliness seemed to have gone out of my friends’ voices. I suspected them of hypocrisy. I stopped calling them, stopped seeing them. I was impatient of what I took to be inane flattery.

 

I got so sick of hearing people say, “I loved your play!” that I could not say thank you any more. I choked on the words and turned rudely away from the usually sincere person. I no longer felt any pride in the play itself but began to dislike it, probably because I felt too lifeless inside ever to create another. I was walking around dead in my shoes, and I knew it but there was no one I knew or trusted sufficiently, at that time, to take him aside and tell him what was the matter.

 

This curious condition persisted about three months, till late spring, when I decided to have another eye operation, mainly because of the excuse it gave me to withdraw from the world behind a gauze mask. It was my fourth eye operation, and perhaps I should explain that I had been afflicted for about five years with a cataract on my left eye which required a series of needling operations and finally an operation on the muscle of the eye. (The eye is still in my head. So much for that.)

 

Well, the gauze mask served a purpose. While I was resting in the hospital the friends whom I had neglected or affronted in one way or another began to call on me and now that I was in pain and darkness, their voices seemed to have changed, or rather that unpleasant mutation which I had suspected earlier in the season had now disappeared and they sounded now as they used to sound in the lamented days of my obscurity. Once more they were sincere and kindly voices with the ring of truth in them.

 

When the gauze mask was removed I found myself in a readjusted world. I checked out of the handsome suite at the first-class hotel, packed my papers and a few incidental belongings and left for Mexico, and elemental country where you can quickly forget the false dignities and conceits imposed by success, a country where vagrants innocent as children curl up to sleep on pavements and human voices especially when their language is not familiar to the ear, are soft as birds’. My public self, that artifice of mirrors, did not exist here and so my natural being was resumed.

 

Then, as a final act of restoration, I settled for a while at Chapala to work on a play called “The Poker Night,” which later became “A Streetcar Named Desire.” It is only in his work that an artist can find reality and satisfaction, for the actual world is less intense than the world of his invention and consequently his life, without recourse to violent disorder, does not seem very substantial. The right condition for him is that in which his work is not only convenient but unavoidable.

 

This is an over-simplification. One does not escape that easily from the seductions of an effete way of life. You cannot arbitrarily say to yourself, I will now continue my life as it was before this thing. Success happened to me. But once you fully apprehend the vacuity of a life without struggle you are equipped with the basic means of salvation. Once you know this is true, that the heart of man, his body and his brain, are forged in a white-hot furnace for the purpose of conflict (the struggle of creation) and that with the conflict removed, the man is a sword cutting daisies, that not privation but luxury is the wolf at the door and that the fangs of this wolf are all the little vanities and conceits and laxities that Success is heir to–why, then with this knowledge you are at least in a position of knowing where danger lies.

 

You know, then, that the public Somebody you are when you “have a name” is a fiction created with mirrors and that the only somebody worth being is the solitary and unseen you that existed from your first breath and which is the sum of your actions and so is constantly in a state of becoming under your own volition–and knowing these things, you can even survive the catastrophe of Success!

 

It is never altogether too late, unless you embrace the Bitch Goddess, as Willimam James called her, with both arms and find in her smothering caresses exactly what the homesick little boy in you always wanted, absolute protection and utter effortlessness. Security is a kind of death, I think, and it can come to you in a storm of royalty checks beside a kidney-shaped pool in Beverly Hills or anywhere at all that is removed from the conditions that made you an artist, if that’s what you are or were intedned to be. Ask anyone who has experienced the kind of success I am talking about–What good is it? Perhaps to get an honest answer you will have to give him a shot of truth-serum but the word he will finally groan is unprintable in genteel publications.

 

Then what is good? The obsessive interest in human affairs, plus a certain amount of compassion and moral conviction, that first made the experience of living something that must be translated into pigment or music or bodily movement or poetry or prose or anything that’s dynamic and expressive–that’s what’s good for you if you’re at all serious in your aims. William Saroyan wrote a great on this theme, that purity of heart is the one success worth having. “In the time of your life–live!” That time is short and it doesn’t return again. It is slipping away while I write this and while you read it, and the monosyllable of the clock is Loss, Loss, Loss unless you devote your heart to its opposition.