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8 - Dúvidas Eternas por Sérgio Nogueira
8 - Dúvidas Eternas por Sérgio Nogueira

 

 

8 – DÚVIDAS ETERNAS por Sérgio Nogueira

 

Ele tinha CHEGO ou CHEGADO?

A primeira dúvida de hoje é fonte de muitas discussões:  os verbos que têm dois particípios, como o verbo ACEITAR, que apresenta as formas ACEITADO e ACEITO.

Podemos dizer:

Ele tinha ACEITADO o novo emprego.

Ele foi ACEITO na escola militar.

O problema é pensar que todos os verbos têm dois particípios. O verbo CHEGAR, por exemplo, só apresenta uma forma para o particípio, que é a forma regular CHEGADO.  Portanto devemos dizer sempre:

Ele tinha CHEGADO atrasado.

E NUNCA, em nenhuma hipótese, diga:

Ele tinha CHEGO atrasado.

A forma verbal CHEGO só existe no presente do indicativo:

Eu nunca CHEGO atrasado.

É inaceitável o uso de CHEGO como particípio.

 

Ele vive ÀS CUSTAS DO PAI ou À CUSTA DO PAI?

Com frequência ouvimos frases como:

Ele venceu na vida ÀS CUSTAS de muito trabalho.

Ele ainda vive ÀS CUSTAS do pai.

O problema é que, embora frases desse tipo sejam muito comuns, elas são condenadas pela gramática tradicional.

A dúvida está no uso da expressão ÀS CUSTAS DE, pois a palavra CUSTAS, assim no plural, só poderia ser empregada no meio jurídico com o significado de “despesas de processo”.  É correto, então, dizer:

O advogado apresentou AS CUSTAS do processo.

Mas no sentido de despesa ou de sacrifício, deveríamos usar a forma singular:  À CUSTA DE.  É correto, portanto, dizer:

Ele venceu na vida À CUSTA DE muito trabalho.

Ele ainda vive À CUSTA DO pai.

Ele passou no concurso À CUSTA DE muito esforço e dedicação.

 

TRAZ ou TRÁS?

Vamos observar duas palavrinhas que têm o mesmo som, mas que, dependendo de como as escrevemos, têm significados diferentes e, logicamente, devem ser usadas em situações diferentes.

É o caso da dupla TRAZ (com Z) e TRÁS (com S e acento).

A palavra TRÁS (com S e acento) indica um lugar posterior e sempre vem acompanhada de uma preposição, geralmente DE ou PARA.  Veja estes exemplos de TRÁS (com S e acento):

Saia e não olhe para TRÁS.

Ele saiu de TRÁS da porta.

A pasta estava no banco de TRÁS.

Por outro lado, TRAZ (com Z) é a forma conjugada do verbo TRAZER.  Veja alguns exemplos de TRAZ (com Z):

Ele sempre TRAZ flores para a namorada.

Ele TRAZ paz para minha alma.

TRAZ esse caderno aqui agora!

 

Eles REAVERAM ou REOUVERAM o dinheiro perdido?

Vamos analisar verbos.  Mais especificamente um verbo bem esquisito, o verbo REAVER.  Você acha que o certo é dizer:

Eles REOUVERAM o dinheiro perdido?

Ou você diria:

Eles REAVERAM o dinheiro perdido?

Ou seria:

Eles REAVIRAM o dinheiro perdido?

Difícil, não é mesmo?

Para ajudar a desembaraçar esse problema, lembre-se de que o verbo REAVER deriva do verbo HAVER.  Isso quer dizer que ele segue a conjugação do verbo HAVER.  Assim, se dizemos que eles HOUVERAM, devemos dizer que eles REOUVERAM.

Não podemos dizer eles REAVERAM nem REAVIRAM, porque não existe na língua padrão.  Mas o que deixa esse verbo com a fama de esquisitão não é só o fato de ele seguir a conjugação do verbo HAVER.

O que o torna m ais estranho é o fato de só podermos conjuga-lo nas pessoas em que o verbo HAVER tem a letra V.  Por causa disso, ele só tem duas formas no presente do indicativo:  nós REAVEMOS e vós REAVEIS.

Não apresenta, no presente indicativo, as três formas do singular nem a terceira pessoa do plural.  Nada no presente do subjuntivo.

O verbo REAVER apresenta todas as formas do pretérito e do futuro, mas devem seguir o verbo HAVER:  reouve, reavia, reouvera, reaverá, reavaria...

 

Fonte:  Jornal O Sul (snconsultoria@terra.com.br